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Flórida se prepara para o pior com a chegada do furacão Milton
Os moradores da Flórida ainda estavam sendo evacuados ou desafiando os avisos nesta quarta-feira (9), horas antes da chegada do Milton, um poderoso furacão que se desloca pelo Golfo do México com enorme potencial destrutivo.
O furacão foi rebaixado da categoria 5 para a 4 no início desta quarta-feira, de acordo com o serviço meteorológico dos EUA.
Mas isso pouco altera a ferocidade dos ventos e a forte maré de tempestade com a qual se espera que ele atinja a costa densamente povoada do centro-oeste da Flórida a partir da noite desta quarta-feira.
As cidades de Tampa e Sarasota estão exatamente no caminho da tempestade, uma área atingida há duas semanas pelo furacão Helene, que matou 235 pessoas no sudeste do estado.
“Estou nervoso. Isso é algo pelo qual acabamos de passar com a outra tempestade: o solo está saturado, ainda estamos nos recuperando disso”, disse à AFP Randy Prior, 36 anos, morador de Sarasota e proprietário de uma empresa de piscinas.
Prior planeja passar a tempestade em casa, depois de ter suportado as inundações provocadas pelo Helene, que também causou estragos em áreas remotas da Carolina do Norte e mais para o interior.
“Sou proprietário de uma empresa, portanto, quando a tempestade passar, tenho que estar aqui, ajudar na limpeza e fazer tudo voltar ao normal. Mas é uma grande tempestade, sem dúvida”, disse ele.
- “Ainda há tempo para sair” -
Luis Santiago, que mora em Tampa, disse que “fecharia tudo” e iria embora. “Vamos ver o que acontece quando eu voltar”, disse ele.
As autoridades pediram incessantemente que as pessoas em áreas de risco procurassem abrigo em locais seguros.
“Você ainda tem tempo para sair se estiver em uma zona de evacuação”, disse o governador da Flórida, Ron DeSantis, em uma coletiva de imprensa.
“Este furacão vai ter um impacto muito, muito grande e causará enormes danos”, acrescentou.
Mas o tempo estava se esgotando rapidamente.
Na manhã desta quarta-feira, Milton estava 400 quilômetros a sudoeste de Tampa, avançando com ventos máximos sustentados de 250 quilômetros por hora, de acordo com o Centro de Furacões dos EUA (NHC).
“Os ventos começarão a aumentar ao longo da costa oeste da Flórida nesta tarde”, disse o NHC. “Os preparativos, incluindo a evacuação, se for necessário, devem ser rápidos”, acrescentou a agência.
As companhias aéreas adicionaram voos partindo de Tampa, Orlando, Fort Myers e Sarasota para aliviar o congestionamento nas estradas.
Mas nem todos os moradores da Flórida e turistas estavam com pressa.
John Gomez, 75 anos, ignorou as recomendações e viajou de Chicago para tentar salvar sua casa na Flórida. “Acho que é melhor estar aqui caso algo aconteça”, disse ele enquanto fazia fila em um ginásio para pegar sacos de areia para bloquear possíveis inundações.
- Eleições e teorias da conspiração -
“É uma questão de vida ou morte”, acrescentou o presidente, que cancelou uma viagem à Alemanha e a Angola esta semana devido à emergência.
A poucas semanas da eleição presidencial, Donald Trump e alguns de seus aliados republicanos de extrema direita transformaram os desastres de Helene e Milton em tema de campanha.
Teorias da conspiração sobre o impacto do governo no clima e desinformação sobre o suposto fracasso do governo Biden e da candidata democrata Kamala Harris em sua resposta à emergência se espalharam rapidamente.
“O oeste da Carolina do Norte e todo o estado, na realidade, foram total e incompetentemente mal administrados por Harris e Biden”, disse Trump na quarta-feira em seu site de rede social Truth Social.
“Aguentem firme e votem para que esses horríveis 'servidores públicos' saiam do cargo”, acrescentou.
Kamala Harris provocou Trump em um programa de TV na noite de terça-feira: “Você não tem empatia pelo sofrimento das pessoas?”
- Mudanças climáticas -
Os cientistas dizem que as mudanças climáticas provavelmente desempenham um papel na rápida intensificação dos furacões porque as superfícies oceânicas mais quentes liberam mais vapor de água, dando às tempestades mais energia e intensificando seus ventos.
A chuva e os ventos trazidos pelo furacão Helene foram 10% mais intensos devido à mudança climática, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira pela rede World Weather Attribution (WWA).
“O trágico é que os cientistas do clima vêm alertando sobre isso há décadas”, disse John Marsham, professor da Universidade de Leeds.
J.Oliveira--PC