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Pastor palestino denuncia 'silêncio' de igrejas ocidentais sobre guerra em Gaza
Desde o começo da guerra entre Israel e Hamas, o pastor luterano palestino Munther Isaac, de Belém, na Cisjordânia ocupada, prega, incansável, um cessar-fogo em Gaza e denuncia o "silêncio" das igrejas ocidentais sobre o conflito.
"Gaza é a bússola moral do mundo", clama ele.
O vídeo de 23 de dezembro do sermão em inglês deste pregador foi compartilhado dezenas de milhares de vezes no Instagram e na rede X. Nele, Isaac denuncia "um genocídio em curso" em Gaza.
Apoiado pelos Estados Unidos, o governo de Israel rejeita, veementemente, essa acusação, afirmando, nas palavras de seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que o Exército trava uma guerra "de uma moralidade inigualável".
O presépio montado no templo de Munther teve um forte impacto. Nele, vê-se um Jesus coberto por uma kufiya, descansando sob os escombros de uma "casa bombardeada".
"Vemos a imagem de Jesus em cada criança extraída dos escombros", diz à AFP esse pastor de 45 anos. Segundo a tradição cristã, Belém é o lugar de nascimento de Jesus Cristo.
"As pessoas sentem nossa dor" e discordam "dos atos de seus governos" que apoiam Israel, afirma o pastor da Igreja Evangélica Luterana de Natividade.
Para ele, é uma "responsabilidade" como clérigo cristão compartilhar seus sermões e entrevistas em inglês nas redes sociais, "para dizer ao mundo que há um genocídio que está acontecendo diante dos nossos olhos e que deve parar agora".
- Silêncio cúmplice –
O pastor espera conseguir uma tomada de consciência das autoridades religiosas ocidentais e denuncia um "silêncio cúmplice".
"Ainda não vemos um forte compromisso, por parte dos líderes das igrejas, por um cessar-fogo", lamenta, afirmando que os palestinos "precisam de algo mais" do que orações "pela paz".
Ele também apela aos dignitários religiosos para irem à Cisjordânia ocupada.
Em sua tradicional mensagem de Natal, o papa Francisco denunciou "a situação humanitária desesperada" em Gaza e pediu a libertação dos reféns, assim como o fim da guerra.
Em seus sermões semanais, Munther se apoia nos textos sagrados para evocar a guerra, que entrou em seu quarto mês. Para o primeiro culto de 2024, leu a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, na qual Deus escolhe os mais fracos "para envergonhar os poderosos", conta ele, traçando um paralelo com a situação atual.
"Deus usa as crianças de Gaza para desafiar a hipocrisia, o racismo e os preconceitos do mundo ocidental em relação aos palestinos e às crianças de Gaza", ressalta.
Mais de 90 dias após o início da guerra, teme-se que o conflito se estenda à Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
Desde 7 de outubro, os controles nos postos de fronteira se intensificaram. As estradas foram bloqueadas, e Belém ficou "isolada de Jerusalém", apesar de estar situada a cerca de dez quilômetros de distância, explica o pastor.
A Cisjordânia vive uma violência sem precedentes desde a Segunda Intifada (revolta palestina de 2000 a 2005), com cerca de 330 palestinos mortos em três meses, segundo a Autoridade Palestina.
Munther denuncia a "impunidade", de que Israel se beneficia, "que pode desrespeitar o direito internacional e cometer crimes sem que ninguém o culpe".
A guerra foi desencadeada por um ataque de membros do Hamas no sul de Israel, que deixou quase 1.140 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados israelenses.
Os combatentes também sequestraram cerca de 250 pessoas, das quais mais de 100 continuam em cativeiro em Gaza, segundo as autoridades israelenses.
Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas, no poder em Gaza desde 2007, e lançou uma ofensiva terrestre e aérea contra o território palestino.
O grupo islamista, classificado como organização terrorista por Estados Unidos, Israel e União Europeia, afirma que mais de 23.350 pessoas, a maioria mulheres e menores, morreram até agora em bombardeios e operações israelenses.
L.Henrique--PC