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Panamá reforça vigilância marítima para conter fluxo de migrantes
O Panamá reforçou nesta quinta-feira (11) a vigilância marítima, após fechar algumas passagens na selva do Darién para controlar a chegada de migrantes que viajam em direção aos Estados Unidos, uma medida que causou atritos com a Colômbia.
O ministro da Segurança, Frank Ábrego, "ordenou o destacamento de patrulhas" da guarda costeira e da polícia de fronteira "nas costas do Caribe e do Pacífico", informou a pasta em sua conta na rede social X.
A instrução também estabelece "a retenção e entrega às autoridades policiais ou migratórias da Colômbia de qualquer pessoa que viaje de barco com migrantes irregulares e tente entrar nas áreas sob jurisdição do Panamá", indicou o ministério em outra mensagem.
Essas ordens foram emitidas após a decisão do novo presidente panamenho, José Raúl Mulino, de "fechar pelo menos cinco passagens na fronteira com a Colômbia", acrescentou o ministério.
Na quarta-feira, o governo panamenho confirmou o fechamento de várias passagens irregulares usadas pelos migrantes para atravessar a inóspita selva do Darién, na fronteira com a Colômbia.
Segundo o governo panamenho, esses fechamentos visam que os migrantes viajem de forma controlada por um "corredor humanitário" que os leva a um abrigo, onde são atendidos por funcionários do Panamá e de diversos organismos internacionais.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, criticou a medida e afirmou que "as cercas de arame farpado na selva" só trarão "afogamentos no mar".
"A migração é contida removendo bloqueios econômicos e melhorando a economia do sul", acrescentou Petro em sua conta no X.
O "fechamento do Darién" obrigará os migrantes "a procurar outras rotas mais perigosas para continuar seu êxodo inevitável", criticou também o ex-presidente colombiano Ernesto Samper (1994-1998).
Esta selva se tornou um corredor para milhares de migrantes que saem da América do Sul na tentativa de chegar aos Estados Unidos.
Em 2023, mais de 500 mil pessoas atravessaram esta rota, apesar dos grandes perigos envolvidos, como rios caudalosos, animais selvagens e grupos criminosos.
Venezuelanos são maioria, mas também há migrantes haitianos, equatorianos, colombianos e chineses.
Mulino prometeu repatriar os migrantes que entrarem no país pela selva. Para isso, o presidente panamenho assinou um acordo com os Estados Unidos que prevê que Washington fornecerá 6 milhões de dólares (R$ 32,4 milhões) para o pagamento de voos de deportação e outras atividades.
Os Estados Unidos, que avançam em direção às eleições de novembro, nas quais a migração é um dos temas principais, também anunciaram em junho o envio de uma unidade especializada para combater o tráfico de pessoas na selva do Darién.
A.Aguiar--PC