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Nobel da Paz diz que protestos resultaram em 'mudanças profundas' no Irã
As manifestações contra as autoridades religiosas no Irã, que eclodiram após a morte de Mahsa Amini em setembro de 2022, resultaram em "mudanças profundas", declarou neste domingo (26) a ativista iraniana e laureada com o Nobel da Paz, Narges Mohammadi.
"Após esses protestos e o movimento 'Mulher, Vida, Liberdade', estamos observando mudanças muito profundas na sociedade", disse Mohammadi, de 52 anos, em uma entrevista concedida à televisão pública espanhola, a partir de um local não identificado no Irã.
As declarações de Mohammadi, que se expressou em farsi, foram traduzidas para o espanhol.
Mahsa Amini, uma curda iraniana de 22 anos, morreu sob custódia em 16 de setembro de 2022, dias após ser detida pela polícia da moral por supostamente desrespeitar o rígido código de vestimenta na República Islâmica.
A morte da jovem desencadeou, sob o lema "Mulher, Vida, Liberdade", meses de manifestações em todo o país que resultaram em centenas de mortos, incluindo também dezenas de membros das forças de segurança. Milhares de manifestantes foram detidos.
Narges Mohammadi, presa há mais de três anos, foi libertada em dezembro por um período limitado por motivos médicos. Segundo sua equipe jurídica, ela pode ser detida novamente e enviada para a prisão a qualquer momento.
Premiada com o Nobel da Paz em 2023 por sua defesa dos direitos humanos no Irã, Mohammadi apoiou totalmente as manifestações pela morte de Amini.
"A vida na prisão é praticamente impossível. Parte da condenação que cumpri foi em celas de isolamento, em um espaço muito pequeno, com três paredes e uma porta, sem nada mais", explicou a ativista na entrevista à TVE, com uma imagem de Amini ao seu lado.
Questionada se achava que seu ativismo valia a pena, considerando o que havia sofrido, Mohammadi disse que, se pudesse voltar no tempo, "sem dúvida faria o mesmo, mesmo que tivesse que pagar um preço mais alto".
P.Mira--PC