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Afeganistão executa quatro homens condenados por assassinato
Quatro homens condenados por assassinato foram executados em estádios lotados nesta sexta-feira (11) no Afeganistão, o que eleva para 10 o número de execuções públicas desde o retorno dos talibãs ao poder em 2021, segundo uma contagem da AFP.
Os condenados foram executados com tiros sob os olhares de dezenas de milhares de pessoas em três cidades do Afeganistão. Este é o maior número de execuções em um único dia desde 2021.
Na quinta-feira, as autoridades locais convocaram os funcionários públicos e cidadãos a comparecer e "participar do ato", durante o qual proibiram câmeras e celulares para evitar a divulgação de imagens.
Dois homens foram executados diante de quase 20.000 pessoas no estádio de Qala-I-Naw, a capital da província de Badghis, na região noroeste do país, com base no princípio islâmico da lei de talião, anunciou a Suprema Corte.
As famílias das vítimas foram consultadas sobre um possível indulto aos acusados, mas se recusaram a perdoar os condenados, acrescentou a Suprema Corte.
Os dois condenados "estavam sentados, de costas para nós", contou à AFP Mohamed Iqbal Rahimyar, um homem de 48 anos que compareceu ao estádio.
"Parentes das vítimas estavam atrás deles e os condenados receberam tiros com pistolas", acrescentou.
"O primeiro (dos executados) matou três pessoas, o segundo uma", disse à AFP um porta-voz das autoridades locais.
"Os parentes dos condenados tentaram se desculpar e ofereceram uma compensação econômica, mas as famílias das vítimas se recusaram a perdoá-los", completou.
Neste caso, armas são entregues e um homem de cada família das vítimas pode atirar contra o condenado.
Outro homem foi executado na cidade de Zaranj, a capital da província de Nimroz, e um quarto em Farah, no oeste, ambos em estádios lotados.
As ordens de execução foram assinadas pelo líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada, que vive recluso em seu reduto de Kandahar, no sul, e governa o país por decreto ou instruções, segundo o comunicado da Suprema Corte.
Embora as execuções públicas fossem comuns durante o primeiro regime talibã, entre 1996 e 2001, reduziram drasticamente desde que os talibãs retornaram a Cabul em 2021.
Desde então, seis homens foram executados por assassinato: um em novembro passado, três em fevereiro de 2024, um em junho de 2023 e o primeiro em dezembro de 2022.
M.Carneiro--PC