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Defesa de Weinstein tenta desacreditar uma de suas acusadoras nos EUA
A defesa do magnata cinematográfico em desgraça Harvey Weinstein afirmou nesta quinta-feira (1º) que uma de suas acusadoras só havia apresentado denúncias de agressão sexual à Promotoria para poder processar o rico produtor de Hollywood.
Miriam Haley, de 48 anos, é uma das dezenas de mulheres que acusaram Weinstein de assédio, agressão sexual ou estupro — uma lista que inclui as atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Ashley Judd.
Seus relatos ajudaram a impulsionar o movimento #MeToo há quase uma década, mas voltaram aos tribunais por conta de um novo julgamento contra Weinstein em Nova York.
Haley rejeitou energicamente a acusação da advogada Jennifer Bonjean durante o interrogatório desta quinta-feira, afirmando que só havia se pronunciado para apoiar e encorajar outras mulheres que disseram ter sido agredidas por Weinstein.
"Ela não mencionou uma reunião no Claridge's, em Londres (...) não mencionou e-mails amigáveis (...) só contou à imprensa uma parte da história", disse Bonjean a Haley, referindo-se às aparições da atriz na mídia denunciando o comportamento de Weinstein.
"Contei a parte relevante para o que tentava compartilhar", respondeu Haley.
As condenações de Weinstein em 2020 por acusações relacionadas a Haley e à aspirante a atriz Jessica Mann foram anuladas no ano passado pelo Tribunal de Apelações de Nova York, devido a falhas processuais.
Novamente diante de um tribunal em Manhattan, Haley relembrou nesta semana, em meio a lágrimas, o dia de julho de 2006 em que, segundo ela, aceitou um convite para visitar o apartamento de Weinstein no SoHo, onde teria ocorrido a agressão.
Na época, ela era assistente de produção de programas e buscava emprego.
A atriz negou ter procurado o promotor de Manhattan apenas após perceber que não poderia processar Weinstein devido ao prazo de prescrição.
"Em nenhum momento pensei (...) que haveria a opção de obter compensação monetária", disse ela durante trocas de palavras às vezes acaloradas com a advogada de Weinstein.
Bonjean alegou que a única forma de Haley entrar com uma ação era se a Promotoria apresentasse acusações.
"Eu não sabia", respondeu Haley.
"Seu interesse em ir à Promotoria só surgiu depois que você soube que poderia processá-lo se fossem apresentadas acusações criminais", repetiu Bonjean.
O ex-chefe do estúdio Miramax é acusado, no novo julgamento em Nova York, da agressão sexual contra Haley em 2006 e do estupro de Mann em 2013.
Ele também enfrenta uma nova acusação por suposta agressão sexual contra uma jovem de 19 anos em 2006.
Weinstein, produtor de diversos sucessos de bilheteria como "Pulp Fiction" e "Shakespeare Apaixonado", nunca admitiu qualquer irregularidade.
Atualmente, cumpre uma pena de 16 anos de prisão após ser condenado na Califórnia por estuprar e agredir uma atriz europeia há mais de uma década.
V.Fontes--PC