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Autoridades investigam queima de exemplar do Corão em mesquita na França
As autoridades francesas anunciaram, nesta terça-feira (3), que estão investigando a queima de um exemplar do Corão em uma mesquita da França, em um contexto de preocupação com o aumento dos ataques contra muçulmanos.
Entre janeiro e março, a França registrou 79 casos de ataques, um aumento de 72% em relação ao mesmo período de 2024, segundo um balanço do Ministério do Interior.
No sábado, um homem francês matou a tiros seu vizinho tunisiano, "um crime racista" e "antimuçulmano", nas palavras do ministro do Interior, o conservador Bruno Retailleau.
A queima do livro sagrado dos muçulmanos ocorreu na madrugada de segunda-feira na mesquita Errahma em Villeurbanne, no leste da França.
Um "indivíduo com o rosto descoberto entrou na sala de oração [...], pegou o exemplar do Corão, o queimou e o deixou no exterior", informou, em nota, o conselho de mesquitas local.
O homem entrou na mesquita por volta das 03h45 da madrugada e falou com um fiel, que lhe pediu que tirasse os sapatos, informou uma fonte policial à AFP.
Ao sair, pegou o Corão e o "queimou na rua", acrescentou a fonte. A polícia soube do ocorrido quando o tesoureiro da mesquita denunciou os fatos, nesta terça-feira.
As autoridades iniciaram uma investigação para identificar o autor do ataque, que fugiu, e sua motivação, embora não descartem que se trate de um "ato antirreligioso".
É "um ato islamofóbico", denunciaram os encarregados da mesquita, assim como o prefeito de Villeurbanne, Cédric Van Styvendael, e os deputados de esquerda Idir Boumertit e Gabriel Amard.
O conselho de mesquitas local alertou para um "clima cada vez mais hostil em relação aos cidadãos de confissão muçulmana", em alusão ao assassinato de sábado e ao homicídio do jovem malinês Aboubakar Cissé.
Cissé levou 57 facadas em 25 de abril em uma mesquita em Le Grande-Combe, no sudeste da França.
A.P.Maia--PC