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Peregrinos muçulmanos rezam no Monte Arafat, ponto culminante do hajj
Peregrinos muçulmanos rezaram nesta quinta-feira (5) no Monte Arafat, ponto culminante da peregrinação do hajj, depois que as autoridades pediram que os fiéis evitem permanecer ao ar livre durante as horas mais quentes do dia.
Milhares de pessoas começaram a se reunir antes do amanhecer ao redor da colina e da planície adjacente, onde se acredita que o profeta Maomé pronunciou seu último sermão.
Alguns chegaram muito cedo, quando está um pouco menos quente, e muitos permanecerão na área por várias horas para as orações e recitações do Alcorão, o momento mais árduo do hajj.
Após o pôr do sol, os peregrinos seguirão para Muzdalifah, no meio do caminho entre Arafat e a cidade de tendas de Mina, onde recolhem pedra para o simbólico "apedrejamento do diabo".
"Isso é algo que eu via todos os anos na televisão durante o hajj e pensava: 'Eu gostaria de estar lá'", comentou Ali, paquistanês de 33 anos e um dos 1,5 milhão de peregrinos que chegaram à Arábia Saudita para a peregrinação.
"Tentei vir (...) nos últimos três anos", acrescentou olhando para o monte. "Me sinto muito abençoado".
Centenas de peregrinos vestidos de branco se aglomeraram no monte, com muitos outros na parte baixa, onde rezam ou registram o momento com fotos.
As autoridades sauditas pediram aos peregrinos que permaneçam em suas tendas nesta quinta-feira entre 10h00 e 16h00, quando o sol do deserto é mais intenso.
As temperaturas superaram 40ºC este ano, durante uma das maiores congregações religiosas do mundo. As autoridades intensificaram os esforços para evitar a repetição do que aconteceu no hajj do ano passado, quando 1.301 pessoas morreram sob temperaturas que chegaram a 51,8ºC.
"Cheguei cedo para (evitar) o sol e depois vou rezar dentro da minha tenda", declarou o sírio Adel Ismail, de 54 anos.
- Infraestrutura -
As autoridades ampliaram este ano a infraestrutura, mobilizaram milhares de funcionários adicionais e disponibilizaram um arsenal de ferramentas de alta tecnologia para ajudar a controlar as multidões.
Também aumentaram as áreas com sombra em 50.000 metros quadrados, convocaram milhares de médicos adicionais e instalaram mais de 400 unidades de resfriamento, informou à AFP o ministro para o Hajj.
Segundo as autoridades, a maioria das mortes de 2024 foi de peregrinos não registrados, sem acesso a serviços como tendas e ônibus com ar condicionado.
Também endureceram o controle dos peregrinos não registrados que tentam entrar em Meca, com operações e vigilância com drones.
As permissões para o hajj são distribuídas nos países sob um sistema de cotas e entregues por sorteio aos indivíduos. O custo elevado, no entanto, leva inclusive pessoas que recebem a permissão a tentar cumprir a peregrinação de maneira ilegal, apesar do risco de detenção e deportação.
As grandes multidões na peregrinação já provocaram tragédias, como em 2015, quando um tumulto durante o "apedrejamento do diabo" em Mina deixou 2.300 mortos.
A Arábia Saudita, sede dos santuários islâmicos de Meca e Medina, arrecada bilhões de dólares com o hajj e outras peregrinações anuais.
E.Paulino--PC