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Miguel Uribe Turbay, promessa da direita colombiana, vítima da violência política
Órfão de mãe por culpa do chefão do narcotráfico Pablo Escobar, neto de um ex-presidente e nome ascendente na direita, o senador e presidenciável Miguel Uribe Turbay, falecido aos 39 anos após sofrer um atentado, é a vítima mais recente da violência política na Colômbia.
Uribe Turbay, membro do Centro Democrático, principal partido de direita da Colômbia, levou dois tiros na cabeça em 7 de junho, enquanto discursava para ativistas em um bairro operário de Bogotá.
Momentos antes do ataque, ele havia lembrado de sua mãe em um discurso e se descreveu como uma pessoa que sofreu a violência na "própria pele".
Uribe Turbay tinha apenas quatro anos em 25 de janeiro de 1991, quando sua mãe morreu, durante uma operação policial fracassada que tentou libertá-la do cartel de Medellín, então chefiado pelo barão da cocaína Pablo Escobar.
Meses antes, Diana Turbay, diretora de um dos telejornais mais assistidos na época, devia fazer uma entrevista exclusiva com um líder guerrilheiro.
Mas se tratou de uma armadilha de Pablo Escobar para sequestrá-la juntamente com outros colegas como forma de evitar a extradição de narcotraficantes colombianos para os Estados Unidos.
- "Miguelito" -
O sequestro de Diana Turbay é relatado no romance "Notícia de um sequestro" (1997) pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel de Literatura.
No livro, "Gabo" cita trechos do diário da jornalista no cativeiro. Em suas páginas, ela contava que se preocupava muito que "Miguelito" fosse retraído e não tivesse sido batizado.
A espera angustiante da família entre o sequestro e a morte de Diana durou cinco meses.
Uribe Turbay e sua irmã mais velha, María Carolina, cresceram em uma família proeminente, netos do ex-presidente Julio César Turbay (1978-1982).
Ele estudou em um dos melhores colégios de Bogotá, se formou advogado e concluiu um mestrado na Universidade de Harvard.
- Geração marcada pela violência -
Quando foi candidato à Prefeitura de Bogotá, em 2019, suas bandeiras eram a segurança e a luta contra o consumo de drogas. Ele foi secretário municipal e vereador.
Usava óculos e sempre aparecia penteado impecavelmente.
Enquanto lutava pela vida na clínica onde esteve internado, pessoas próximas compartilharam nas redes sociais vídeos nos quais aparecia tocando violão e acordeon.
Em um deles, Turbay aparece cantando com um amigo a música "Mi Generación", do cantor e compositor colombiano Andrés Cepeda, que conta a histórica de crianças marcadas pela violência do narcotráfico.
Líder do Centro Democrático, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) o considerava uma "esperança da Pátria".
Era um "grande marido, pai, filho, irmão" e "colega de trabalho", disse, após o atentado, o influente ex-presidente, que não tinha parentesco com o jovem dirigente, apesar de ambos compartilharem o mesmo sobrenome.
- "Reconciliação" -
Não está claro porque atiraram nele. Até o momento, as autoridades colombianas capturaram seis pessoas envolvidas no atentado, inclusive o adolescente que fez os disparos, e apontam para membros de uma dissidência da extinta guerrilha das Farc como possíveis autores intelectuais.
Durante sua hospitalização, Uribe Turbay deu sinais de melhora e, em meados de julho, iniciou a etapa de neuroreabilitação, mas sofreu uma recaída devido a uma nova hemorragia cerebral e morreu quase com a mesma idade da mãe.
Ele deixa um filho pequeno e três enteadas adolescentes, filhas de sua esposa, María Claudia Tarazona, que acolheu como suas.
"Descanse em paz, amor da minha vida, eu cuidarei dos nossos filhos", escreveu Tarazona em sua conta no Instagram na madrugada desta segunda-feira.
Sua morte revive os piores momentos da história conturbada da Colômbia. Nos tempos de Pablo Escobar, entre os anos 1980 e 1990, quatro candidatos à Presidência foram assassinados. E também abala a corrida eleitoral de 2026, quando será escolhido o sucessor do presidente Gustavo Petro (esquerda).
Em uma entrevista à revista Bocas, Uribe Turbay garantiu ter perdoado os responsáveis pelo sequestro de sua mãe.
"A reconciliação é o único que ajuda a gente a dar o passo e superar um momento tão difícil", afirmou.
L.Mesquita--PC