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Hong Kong procura centenas de desaparecidos após incêndio que deixou 55 mortos
Os bombeiros de Hong Kong procuravam nesta quinta-feira (27) mais de 250 pessoas desaparecidas após o grande incêndio que destruiu um complexo de arranha-céus residenciais e provocou pelo menos 55 mortes, no pior desastre em décadas no território.
O incêndio começou na tarde de quarta-feira (26) em um complexo residencial de oito torres e 2.000 apartamentos. A tragédia deixou a cidade, que tem alguns dos conjuntos habitacionais mais densamente povoados do mundo, em choque.
As chamas começaram nos tradicionais andaimes de bambu que cercavam os edifícios de 31 andares do complexo Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, na zona norte, que passava por reformas.
O fogo ainda era visível na tarde de quinta-feira em algumas janelas, enquanto os bombeiros trabalhavam para controlar as chamas.
Funcionários do departamento de bombeiros elevaram o número de mortos de 44 para 55: 51 morreram no local e quatro no hospital.
As autoridades afirmaram que os incêndios em quatro das oito torres de apartamentos já foram extintos e as chamas em outros três edifícios estão "sob controle". O arranha-céu restante não foi afetado.
Centenas de pessoas se reuniram nas ruas próximas e em áreas públicas para organizar a ajuda aos moradores afetados e aos bombeiros.
"É realmente comovente. O espírito dos habitantes de Hong Kong é que, quando alguém tem problemas, todos oferecem seu apoio", afirmou Stone Ngai, 38 anos, um dos organizadores de um posto improvisado.
As autoridades abriram uma investigação sobre o incêndio, incluindo a presença dos altamente inflamáveis andaimes de bambu e das redes de proteção de plástico que envolvem estas estruturas.
A agência anticorrupção de Hong Kong iniciou uma investigação sobre as reformas no complexo residencial. A polícia anunciou a detenção de três homens suspeitos de terem deixado, de modo negligente, embalagens de espuma no local.
O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, anunciou que todas as obras importantes da cidade serão inspecionadas imediatamente.
- De porta em porta -
Vários moradores do complexo Wang Fuk Court disseram à AFP que não ouviram nenhum alarme de incêndio e que seguiram de porta em porta para alertar os vizinhos sobre o perigo.
"Tocar a campainha, bater nas portas, alertar os vizinhos, dizer que deveriam sair... foi assim que aconteceu", disse um homem que se identificou como Suen.
"O fogo se propagou muito rapidamente", acrescentou o morador.
Um bombeiro de 37 anos está entre os mortos. Ele foi encontrado com queimaduras no rosto meia hora depois de perder contato com seus colegas.
Sessenta e um feridos foram hospitalizados, 15 em estado crítico, 27 em estado grave e 19 estáveis, informou à AFP um porta-voz do governo.
John Lee anunciou durante a madrugada que 279 pessoas estavam desaparecidas, mas os bombeiros informaram mais tarde que haviam estabelecido contato com algumas delas.
O consulado da Indonésia anunciou que duas vítimas fatais eram do país e trabalhavam como empregados domésticos.
- ""Não conseguimos chegar às pessoas" -
Durante as primeiras horas da emergência, partes de andaimes carbonizados caíram dos blocos residenciais em chamas e era possível observar os apartamentos tomados pelo fogo.
Derek Armstrong Chan, vice-diretor de operações dos bombeiros, disse que a temperatura no local era "muito elevada".
"Em alguns andares, não conseguimos chegar às pessoas que pediam ajuda, mas continuamos tentando", disse Chan. Ele acrescentou que o fogo provavelmente se propagou de um edifício a outro devido ao vento e às cinzas.
O presidente chinês, Xi Jinping, expressou condolências às famílias e "pediu que se faça todo o possível para extinguir o incêndio e minimizar as vítimas e as perdas", informou o canal estatal CCTV.
Durante a tarde de quinta-feira, alguns moradores dos blocos adjacentes que precisaram abandonar seus apartamentos por precaução foram autorizados a retornar para suas casas.
Os incêndios mortais foram por anos um problema habitual na densamente povoada Hong Kong, em particular nos bairros mais pobres.
Nas últimas décadas, no entanto, as medidas de segurança foram reforçadas e os incêndios se tornaram menos frequentes.
A.Silveira--PC