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Madre superiora assediava e maltratava freiras de sua congregação em Paris
Uma madre superiora isolou e assediou durante décadas as freiras que estavam sob sua responsabilidade em uma congregação no bairro de Montmartre, no norte de Paris, revelou um relatório divulgado nesta quinta-feira (15).
As acusações contra Marie-Agnès, que morreu em 2016 — entre as quais não há nenhuma de abuso sexual — são as últimas de uma série de denúncias apresentadas contra líderes religiosos franceses nos últimos anos.
Ela dirigia a comunidade de Beneditinas do Sagrado Coração desde 1969.
Uma comissão de investigação entrevistou 86 freiras e 28 ex-freiras para avaliar acusações de maus-tratos supostamente ocorridas entre 1969 e 2012. Neste período, Marie-Agnès e suas auxiliares supervisionavam um sistema que espionava, assediava, agredia fisicamente e até roubava dinheiro das mulheres que ingressavam na ordem, segundo as conclusões da investigação, publicadas nesta quinta-feira.
Os abusos físicos incluíam "refeições forçadas e desequilibradas" e "alimentação forçada até provocar vômito", indicou a comissão no relatório.
A madre superiora e duas auxiliares recrutavam freiras jovens, que eram pressionadas a fazer seus votos antes que pudessem mudar de ideia, e depois eram isoladas de suas famílias.
O trio mantinha o controle sobre elas escutando suas conversas com pessoas que iam visitá-las e lendo suas cartas, segundo o relatório.
As jovens também eram vigiadas, chantageadas e incentivadas a delatar companheiras, além de sobrecarregadas de trabalho. As mais rebeldes eram drogadas para serem mantidas sob controle.
Durante a última década, a congregação "transformou-se em um Estado policial", relata o documento, citando uma das freiras.
A direção assumia o dinheiro que as mulheres tinham assim que chegavam. Em alguns casos, as três responsáveis chegaram a esvaziar as poupança ou a apoderar-se de suas heranças para usá-las "em benefício próprio".
Segundo o relatório, mais de 857 mil euros (R$ 5,4 milhões, na cotação atual) foram retirados no total das contas de cinco irmãs e da congregação.
Enquanto isso, as três responsáveis levavam um "padrão de vida luxuoso", indica o relatório, e supostamente desfrutavam de refeições caras, passavam férias na Riviera Francesa e faziam investimentos imobiliários em uma cidade ao nordeste de Paris.
M.Gameiro--PC