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Sánchez promete 'absoluta transparência' sobre causas de acidente ferroviário na Espanha
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu, nesta segunda-feira (19), "absoluta transparência" sobre as causas do acidente ferroviário que deixou pelo menos 39 mortos no domingo no sul do país, e cujo balanço ainda pode aumentar.
O número de mortos na tragédia ocorrida na região da Andaluzia subiu para 39 no início da manhã desta segunda-feira, segundo uma porta-voz do Ministério do Interior.
"Estamos esperando que ainda esta manhã (...) seja possível instalar o equipamento pesado, que são os guindastes, para levantar praticamente os vagões um, dois e três do Alvia, que foi o trem mais afetado", explicou o presidente da Andaluzia, Juanma Moreno Bonilla, à televisão regional.
"Previsivelmente, quando forem levantados, poderemos encontrar [mais] pessoas falecidas", acrescentou.
O incidente também deixou mais de 120 feridos, dos quais 43 continuavam hospitalizados no início da tarde desta segunda, 12 deles em terapia intensiva, segundo os serviços de emergência.
- O que aconteceu? -
A tragédia ocorreu às 19h45 locais (15h45 em Brasília) de domingo perto da estação de Andamuz, na região da Andaluzia, cerca de 200 km ao norte de Málaga. Um trem da operadora privada Iryo que ia de Málaga para Madri descarrilou com cerca de 300 passageiros a bordo e se chocou contra um trem da estatal Renfe, que partiu da capital com destino a Huelva (sudoeste), e transportava 184 pessoas.
Os primeiros elementos da investigação indicam que os vagões traseiros da Iryo descarrilaram e, em seguida, o outro trem, que vinha em sentido contrário, colidiu com eles.
"A frente do trem que viajava de Madri para Huelva colidiu, pelo que sabemos até o momento, com um ou mais vagões que haviam cruzado os trilhos", disse o ministro dos Transportes, Óscar Puente. O impacto foi tão violento que os dois primeiros vagões de Madrid-Huelva foram projetados para fora, indicou.
A Iryo afirmou que o trem havia sido fabricado em 2022 e que sua "última revisão foi realizada em 15 de janeiro".
Imagens aéreas da Guarda Civil mostraram que os trens ficaram bastante distantes um do outro. O mais danificado parece ser o da Renfe, com parte de seus vagões completamente tombados e transformados em ferro retorcido.
Centenas de metros à frente, vê-se o trem vermelho da Iryo, com a maioria de seus vagões ainda sobre os trilhos, mas os dois últimos carros tombados.
- Causas ainda não conhecidas -
"Gostaria de transmitir aos cidadãos espanhóis que vamos descobrir a verdade, que vamos conhecer a resposta e que, quando essa resposta sobre a origem da causa desta tragédia for conhecida (...), com absoluta transparência e clareza, a divulgaremos ao público", afirmou o presidente do governo, Pedro Sánchez, nesta segunda-feira, em Adamuz.
Óscar Puente descreveu o acidente como "extremamente estranho", destacando que a via havia sido "totalmente reformada".
"Todos os especialistas ferroviários (...) estão extremamente surpresos com o acidente porque, como eu disse, é muito estranho", acrescentou.
"O erro humano está praticamente descartado", afirmou, por sua vez, o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, à rádio pública, descrevendo um acidente em "circunstâncias estranhas".
Também não parecia se tratar de um problema de excesso de velocidade, avaliou, já que neste trecho de via, com circulação limitada a 250 km/h, um dos trens estava a 205 km/h e o outro, a 210 km/h.
- Um país abalado -
O país amanheceu em choque nesta segunda-feira, a começar pela pequena localidade de Adamuz.
"Quando soubemos (...) começamos a trazer água, cobertores, tudo o que podíamos", relatou Manuel Muñoz, um operário de uma fábrica de óleo de 60 anos, que prestou ajuda até a chegada dos primeiros feridos.
"Nós fomos embora porque estávamos atrapalhando o trabalho dos profissionais", relatou.
"É uma catástrofe", descreveu o aposentado José Pérez, de 80 anos.
A família real deve visitar a região na terça-feira.
Ao meio-dia desta segunda, também foram realizados minutos de silêncio em vários locais do país, como na sede do Ministério dos Transportes em Madri.
Em julho de 2013, a Espanha já havia sofrido uma grave tragédia ferroviária com o descarrilamento de um trem pouco antes de chegar à cidade de Santiago de Compostela (noroeste), que deixou 80 mortos.
F.Santana--PC