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Ex-policial é absolvido de acusação de omissão durante massacre em escola do Texas
Um ex-policial acusado de não agir para impedir um massacre em uma escola do Texas, no sul dos Estados Unidos, ficou livre das acusações na quarta-feira (21), diante da frustração de familiares das crianças mortas no ataque.
Após várias horas de deliberação, um júri em Corpus Christi, no sul do Texas, declarou "não culpado" o agente Adrián Gonzales, de 52 anos, segundo o veredicto lido em plenário.
Gonzales respondia a 29 acusações relacionadas a abandonar ou deixar menores em perigo durante o ataque à escola primária Robb, na cidade de Uvalde, em 2022, no qual morreram 19 crianças entre 9 e 11 anos e duas professoras. O agressor, de 18 anos, foi morto pelas forças de segurança.
Alguns familiares presentes na audiência manifestaram frustração com a decisão. "Vocês falharam com as crianças mais uma vez", disse Javier Cazares, pai da menina Jackie Cazares, que morreu no ataque.
"Sinto raiva, mas preciso manter a calma, por minha filha. Estou emocionalmente destruído desde o primeiro dia, mas, mais uma vez, tivemos de nos preparar para o pior. Tínhamos um pouco de esperança e não foi suficiente", acrescentou em declarações à imprensa.
O caso contra Gonzales foi uma tentativa pouco comum de responsabilizar um agente por suas ações durante um ataque armado em massa.
Ao todo, 376 agentes - entre guardas de fronteira, policiais estaduais e municipais, departamentos de xerife locais e forças de elite - responderam à ocorrência. Ainda assim, foram necessários 77 minutos e a chegada de uma unidade especializada para neutralizar o atirador.
Segundo os acusadores, Gonzales deixou de lado seu treinamento e não tentou deter o agressor antes que ele entrasse na escola. Eles pediram ao júri que o considerasse culpado como forma de enviar uma mensagem às forças de segurança para que cumpram seu dever.
Os advogados de Gonzales insistiram que ele colocou a própria vida em risco.
"Quero agradecer a Deus por isso, à minha família, à minha esposa e aos advogados (...) Obrigado ao júri por considerar todas as provas", afirmou Gonzales após o veredicto.
Nico LaHood, um dos defensores de Gonzales, disse compreender a indignação da família. "É uma dor genuína para eles; este resultado foi agridoce. Não há vencedores nessa situação porque eles ainda estão de luto, e eu entendo", avaliou.
Outro agente, Pete Arredondo, ex-chefe da polícia do distrito escolar de Uvalde, enfrenta dez acusações e é julgado separadamente. "Honestamente, com ele vai acontecer a mesma coisa", lamentou Cazares.
Um relatório do Departamento de Justiça de janeiro de 2024 apontou uma "cascata de falhas na cadeia de comando" durante o ataque armado.
P.Queiroz--PC