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Presidente do Equador acusa Colômbia de 'abandono' na fronteira
O presidente do Equador, Daniel Noboa, disse que "o abandono da fronteira" pela Colômbia alimentou o crescimento do narcotráfico e da violência em seu país, em entrevista ao jornal Metro publicada nesta terça-feira (27).
No poder desde novembro de 2023, Noboa acusa a Colômbia de não fazer o suficiente para controlar grupos de narcotraficantes que cruzam a fronteira e atuam no Equador em aliança com grupos locais.
Paralelamente a essa denúncia, o presidente lançou uma guerra tarifária com a Colômbia semelhante à usada por seu aliado americano, Donald Trump.
"O abandono da fronteira permitiu a expansão do narcotráfico", afirmou Noboa, no momento em que o país atinge níveis recorde de violência. Essa "inércia" na fronteira colombiana "obrigou o Estado equatoriano a investir mais recursos na região".
Quito taxou em 30% as importações da Colômbia, e Bogotá respondeu com a mesma tarifa para cerca de 20 produtos equatorianos, além da suspensão do fornecimento de energia. Noboa defende os novos impostos como uma compensação pelo dinheiro que seu país investe na fronteira comum.
O ministro colombiano da Energia, Edwin Palma, apontou que, enquanto seu país propõe diálogo, as autoridades equatorianas "respondem com agressões".
A mensagem de Noboa sobre responsabilidade compartilhada no combate ao narcotráfico "está ancorada na nova doutrina de segurança nacional dos Estados Unidos", explicou à AFP o analista político Wilson Benavides, da Universidade Central. Além disso, funciona como "distração" para "culpar o outro lado (...) porque, diante das circunstâncias, infelizmente os índices de insegurança e homicídios dolosos não diminuem".
Quito também aumentou em 900% a tarifa de transporte de petróleo colombiano por seu oleoduto.
"A evidência que temos confirma o caráter regional do narcotráfico, que hoje opera a partir de territórios vizinhos", publicou Noboa no X, sem mencionar a Colômbia.
O Equador tem a taxa de homicídios mais elevada da América Latina, com um recorde de 52 assassinatos a cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.
"Há fatos concretos: muitos criminosos ligados ao narcotráfico possuem passaporte colombiano", ressaltou Noboa. O governante indicou no X que criminosos perigosos capturados pelo Equador tinham ligações com a Colômbia: "Todos buscavam replicar um negócio que já funcionou nesse país, mas, com o Equador, equivocaram-se."
F.Carias--PC