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Prefeito e presidente de clube de futebol são presos por suspeita de corrupção no Equador
O prefeito de Guayaquil, Aquiles Álvarez, e seu irmão, presidente do Barcelona de Guayaquil, foram detidos nesta terça-feira (10) por suspeita de lavagem de dinheiro, em uma operação que resultou na prisão de outras nove pessoas, informou o Ministério Público.
Álvarez, crítico contundente do presidente Daniel Noboa, também responde a vários processos judiciais que o obrigam a comandar a cidade mais populosa e violenta do Equador com uma tornozeleira eletrônica.
"Sabemos perfeitamente que por trás de tudo isso há um pano de fundo nitidamente político", declarou aos jornalistas Ramiro García, advogado do prefeito que declara ser inocente em outro processo por suposto tráfico de combustível.
Uma foto de Álvarez em roupa íntima e ao lado de policiais fortemente armados circulou em alguns meios de comunicação locais. Em imagens divulgadas pelo Ministério Público, observam-se bolsas com maços de dinheiro, computadores e celulares.
Além do prefeito de 41 anos, as autoridades anunciaram a detenção de seus irmãos Xavier e Antonio Álvarez. Antonio é presidente do Barcelona, clube que no fim de semana passado disputou um amistoso com o Inter Miami do astro argentino Lionel Messi.
Sem mencionar a detenção, o clube informou no X que nomeou um presidente substituto para "garantir a continuidade administrativa, operacional e esportiva" do Barcelona de Guayaquil.
No chamado caso Goleada, o Ministério Público investiga os supostos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude tributária.
A polícia cumpriu "mandados de prisão com fins de apresentação de denúncia" contra os 11 investigados, informou o MP em sua conta na rede social X.
Apoiadores de Álvarez, do partido opositor Revolução Cidadã, se reuniram nos arredores do quartel para onde ele foi levado, empunhando cartazes e entoando slogans como "Aquiles, amigo, o povo está contigo", em apoio ao prefeito, que denuncia a falta de resultados na guerra contra o crime impulsionada por Noboa.
Em outubro, em entrevista à AFP, Álvarez reconheceu que "vive-se com tensão" em sua cidade e advertiu que, com os processos judiciais, buscam inabilitá-lo ante as próximas eleições municipais.
No momento da operação, o prefeito "não usava a tornozeleira eletrônica, medida cautelar determinada no âmbito do caso Triple A", relacionado à comercialização ilegal de combustível, segundo o Ministério Público.
As autoridades estimam que o prejuízo ao Estado no caso Triple A chegue a 61,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 322 milhões).
A imprensa local informou que o prefeito será transferido para Quito.
L.E.Campos--PC