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Hong Kong condena pai de ativista pró-democracia por administrar seus recursos
Um tribunal de Hong Kong condenou, nesta quarta-feira (11), o pai de uma ativista pró-democracia procurada pela Justiça, após ele ser julgado por movimentar no exterior o dinheiro pertencente à filha.
É o primeiro veredicto desse tipo proferido com base na lei de segurança nacional em vigor na cidade semiautônoma, antiga colônia britânica devolvida à China em 1997.
As autoridades do centro financeiro se comprometeram a perseguir no exterior os "foragidos" acusados de colocar em risco a segurança nacional e, até o momento, ofereceram recompensas por 34 pessoas. Alguns países ocidentais criticaram a medida como repressão transnacional.
Hong Kong ofereceu em 2023 uma recompensa de 1 milhão de dólares de Hong Kong (cerca de R$670 mil) pela ativista pró-democracia Anna Kwok. Posteriormente, as autoridades passaram a considerar crime que qualquer pessoa administre fundos ou outros ativos financeiros de um foragido.
O pai dela, Kwok Yin-sang, de 69 anos, foi considerado culpado nesta quarta-feira por tentar sacar cerca de 11 mil dólares (R$57,5 mil) ao encerrar uma apólice de seguro que havia contratado para a filha quando ela era bebê.
Anna Kwok afirmou nas redes sociais que as autoridades de Hong Kong estavam retaliando seu ativismo e classificou a condenação como "sequestro".
"Hoje, meu pai foi condenado simplesmente por ser meu pai", escreveu. Ela acrescentou que as acusações se baseavam em uma "ficção incoerente", já que não recebeu recursos dele nem de qualquer outra pessoa em Hong Kong.
A Human Rights Watch classificou o veredicto como "cruel e vingativo".
Joey Siu, porta-voz da Anistia Internacional Hong Kong Overseas, afirmou que a condenação representa uma "escalada preocupante" no uso da lei de segurança nacional da cidade, aprovada em 2024 após a China impor legislação semelhante a partir de 2020, na esteira de protestos massivos em favor da democracia, alguns violentos.
Kwok permanecerá em prisão preventiva até a sentença, marcada para 26 de fevereiro.
Ferreira--PC