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Familiares de presos rejeitam julgamentos em massa em El Salvador
Familiares de presos que se consideram vítimas inocentes da guerra contra as gangues do presidente salvadorenho Nayib Bukele se manifestaram, neste domingo (15), nas ruas da capital contra os julgamentos em massa, por estimarem que serão condenados "justos como pecadores".
Com cerca de 90.000 detidos no país desde 2022, o Ministério Público prevê concluir nos próximos meses cerca de 3.000 acusações contra supostos membros de gangues que seriam julgados ao mesmo tempo em grandes grupos.
Segundo organizações de direitos humanos, essa opção resultará na condenação de milhares de inocentes.
"Querem condenar os inocentes por crimes não cometidos. Por crimes cometidos por uma gangue", declarou à AFP Samuel Ramírez, líder do Movimento de Vítimas do Regime (Movir).
Realizar julgamentos em massa "é condenar justos como pecadores e desrespeitar as garantias" do devido processo, declarou à AFP o advogado Félix López.
"O justo" é "individualizar" os casos, acrescentou López, que tem um filho preso há um ano e assegura que ele "é inocente".
Embora tenha reduzido os homicídios a níveis historicamente baixos e tornado Bukele muito popular, a ofensiva contra as gangues é criticada por organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, porque permite prisões em massa sem ordem judicial sob um regime de exceção em vigor desde março de 2022.
Ana Rodríguez, dona de casa de 58 anos, marchou para exigir a libertação de um filho e de sua nora que, segundo ela, fazem parte da "margem de erro" da luta contra as gangues.
Gritando palavras de ordem como "Defendemos inocentes, não criminosos!" e "Não aos julgamentos em massa, sim ao devido processo!", os manifestantes, mais de uma centena, saíram de uma praça no norte de San Salvador e encerraram seu protesto sem incidentes em frente à catedral central.
O.Gaspar--PC