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Começa greve geral na Argentina contra a reforma trabalhista de Milei
O governo argentino enfrenta nesta quinta-feira(19) a quarta greve geral de sua gestão, no dia em que a Câmara dos Deputados debaterá uma polêmica reforma trabalhista impulsionada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, já aprovada pelo Senado na semana passada.
A paralisação, que começou às 00h01 locais (mesmo horário em Brasília) e durará 24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país, que considera que as mudanças propostas pelo governo são “regressivas”.
A medida de força ocorre em um contexto econômico que apresenta sinais de queda na atividade industrial, com mais de 21.000 empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300.000 postos de trabalho, segundo fontes sindicais.
O caso mais recente é o da Fate, a principal fábrica de pneus da Argentina, que nesta quarta-feira anunciou o fechamento de sua planta em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade devido à abertura indiscriminada das importações.
“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, declarou nesta quarta-feira Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da Confederação Geral do Trabalho (CGT), que antecipou que a medida de força será “contundente”.
Os principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao protesto. Além disso, 255 voos foram cancelados, em uma medida que afeta 31.000 passageiros, informou a Aerolíneas Argentinas.
Também aderiram os trabalhadores portuários, que paralisam importantes terminais como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo.
A sessão na Câmara dos Deputados está prevista para começar às 14h00 locais (mesmo horário em Brasília).
- "Risco" -
Embora a greve da CGT vá ocorrer sem mobilização, diferentes sindicatos e agrupações políticas anunciaram que marcharão até a Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires.
Na semana passada, quando o projeto de reforma trabalhista foi debatido pelo Senado, milhares de pessoas se reuniram em manifestações que terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos.
O governo divulgou na terça-feira um comunicado incomum, no qual advertiu a imprensa sobre o “risco” de cobrir os protestos e estabeleceu uma “zona exclusiva” em uma das ruas laterais da praça para a instalação dos meios de comunicação.
“Diante de fatos de violência, nossas forças atuarão”, diz o texto do Ministério da Segurança, que recomendou aos jornalistas “evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o pessoal das forças de segurança”.
O projeto que será debatido pelos deputados reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve, entre outros pontos.
O governo garante que as mudanças ajudarão a reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos ao diminuir a carga tributária para os empregadores.
Para avançar na discussão na Câmara dos Deputados, o partido do governo teve de eliminar do texto aprovado no Senado um polêmico artigo que reduzia o salário para entre 50% e 75% durante as licenças médicas.
F.Carias--PC