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Buscas por desaparecidos são retomadas após novas chuvas em MG, onde mortos chegam a 55
Com o medo pela volta das chuvas e em meio a novas evacuações, socorristas e moradores retomaram, nesta quinta-feira (26), as buscas por 13 desaparecidos na zona da mata de Minas Gerais, onde os mortos no intenso temporal no começo da semana chegam a 55.
Com quantidades incomuns de água, as chuvas que caíram na segunda-feira na região causaram inundações, desabamentos de construções e deslizamentos de terra que soterraram dezenas de pessoas nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.
Mais de 5.000 pessoas tiveram que deixar suas casas na região.
Na noite de quarta-feira, novas chuvas alagaram ruas e causaram novos deslizamentos. Estão previstas mais chuvas até o fim de semana.
"Choveu bastante, o barranco caiu mais ainda e a Defesa Civil nos orientou para não ficar", disse à AFP Luiz Otávio Souza, promotor de vendas de 35 anos, que precisou deixar sua casa, e que tem um sobrinho desaparecido.
"Todo mundo está em pânico, amigos e parentes perguntando como estamos (...) Parece filme de terror", acrescentou, aos prantos, este morador do Parque Burnier, um dos bairros mais afetados de Juiz de Fora, com 12 mortos e oito desaparecidos.
No bairro de Três Moinhos, três casas foram soterradas por deslizamentos durante a madrugada, depois que seus moradores foram evacuados, constatou a AFP.
Vários moradores que precisaram deixar suas casas voltaram nesta quinta-feira para o bairro para recuperar móveis, eletrodomésticos, colchões e inclusive animais de estimação que ficaram para trás.
Durante as horas sem chuva, levaram seus pertences às pressas, descendo pelas ruas cobertas de lama.
Juiz de Fora registrou, entre domingo e terça-feira, um total de 229,9 mm de chuva. No mês, o acumulado até terça-feira foi de 579 mm, um volume 240% acima da média de fevereiro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
"Tudo isso são fenômenos meteorológicos que sempre ocorreram, mas agora, com o aquecimento global, a atmosfera tem mais energia" e os torna mais extremos, disse à AFP o meteorologista Carlos Nobre.
No caso da zona da mata mineira, "foi uma chuva associada com o sistema de frente fria que estava passando e o oceano Atlântico estava muito quente (...) Com isso, teve muita evaporação de água, então os sistemas de chuva conduzem muito mais vapor da água na atmosfera. Eles formam essas nuvens muito pronunciadas que causam essas enormes pancadas", acrescentou.
Esta tragédia se soma a outros grandes desastres causados por extremos climáticos no Brasil nos últimos anos, que cientistas associam em vários casos ao aquecimento global.
Em 2024, inundações inéditas atingiram o Rio Grande do Sul e deixaram cerca de 200 mortos e mais de dois milhões de moradores afetados, em uma das piores catástrofes naturais da história do Brasil.
E.Ramalho--PC