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Chefe do tráfico morre em operação policial no centro do Rio, que deixa outros 7 mortos
Uma operação policial nesta quarta-feira (18) na região central do Rio de Janeiro deixou pelo menos oito mortos, incluindo um dos traficantes mais antigos e procurados do país, informaram as autoridades.
Cerca de 150 membros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), unidade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), apoiados por dois veículos blindados, foram mobilizados desde a madrugada em várias favelas do bairro Santa Teresa, na zona central da cidade.
Durante os confrontos, o traficante Cláudio Augusto dos Santos, de 55 anos, conhecido como "Jiló dos Prazeres", foi morto no Morro dos Prazeres. Ele tinha pelo menos oito mandados de prisão em aberto por sequestro, tráfico de drogas e homicídio, explicou o chefe da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes Nogueira, em coletiva de imprensa.
As autoridades o identificaram como figura-chave do Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país.
A polícia matou outros seis suspeitos.
A oitava vítima fatal era um morador local que, junto com sua companheira, foi feito refém pelos traficantes, segundo o coronel Menezes Nogueira.
Durante uma negociação que durou cerca de 20 minutos, os criminosos abriram fogo e o homem foi baleado na cabeça. A mulher sobreviveu.
Em represália à operação policial, um ônibus foi incendiado em uma avenida do centro da cidade, e barricadas foram erguidas com outros veículos, informaram jornalistas da AFP.
Menezes Nogueira atribuiu essas ações a membros do CV.
A operação causou caos no centro do Rio. Quatro pessoas foram detidas por obstrução do trânsito, informou a polícia.
A ação ocorre cinco meses após a megaoperação mais sangrenta da história do Brasil: em 28 de outubro, uma grande batida nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, deixou pelo menos 117 suspeitos de crimes e quatro policiais mortos.
Organizações de direitos humanos protestaram e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a operação como uma "matança".
Nesta quarta-feira, a Polícia Federal lançou, paralelamente e com outras forças, uma operação coordenada em 15 estados contra organizações ligadas ao tráfico de drogas e de armas.
A operação também ocorre em um momento em que o governo Lula estaria pressionando os Estados Unidos para que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) não sejam designados como organizações terroristas, classificação que o governo Trump já aplicou a diversos cartéis latino-americanos.
Um porta-voz do Departamento de Estado americano disse à AFP que ambas as organizações representam "ameaças significativas à segurança regional", mas acrescentou que há avanços nessa classificação.
H.Portela--PC