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Jihadista francês é condenado à prisão perpétua pelo genocídio de yazidis
A Justiça condenou, nesta sexta-feira (20), à revelia, o jihadista francês Sabri Essid à prisão perpétua por sua participação no genocídio de yazidis em meados de 2010, embora acredite-se que ele tenha morrido na Síria.
É a primeira sentença deste tipo na França. Membros da organização Estado Islâmico (EI) já foram condenados em outros países da Europa pelo genocídio de yazidis nos territórios que controlavam na Síria e Iraque.
"Sabri Essid participou do genocídio perpetrado pelo EI", declarou Marc Sommerer, presidente do tribunal que o julgou em Paris. O jihadista fazia parte de uma rede que consistia em "comprar, revender, comprar, revender inúmeras vítimas" yazidis, acrescentou.
Essid nasceu em Touluse, no sul da França, em 1984 e era uma figura central do jihadismo francês, próximo das vozes que reivindicaram os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris. Na Síria, era conhecido como Abu Dujana Al-Faransi.
O jihadista se mudou para a região entre a Síria e o Iraque, no começo de 2014, para onde sua esposa, seus três filhos e o filho dela, nascido de um relacionamento anterior, o acompanharam depois. Acredita-se que ele tenha morrido em 2018.
Clémence Bectarte, advogada de mulheres yazidis durante o processo, celebrou o fim de dez anos de luta judicial para suas clientes, que tiveram a "coragem (...) de levar seus testemunhos aos tribunais".
Durante o julgamento, duas mulheres yazidis, entre elas uma vítima de seus abusos sexuais, relataram os horrores que viveram.
Ambas foram capturadas em agosto de 2014 durante o ataque ao monte Sinjar, bastião dos yazidis no Iraque; foram separadas de seus maridos, dos quais nunca mais voltaram a ter notícias, e vendidas nos mercados junto com seus filhos.
Passando de carcereiro em carcereiro, eram usadas como escravas domésticas e também sexuais, sendo estupradas diariamente.
"A violência sexual constituiu uma etapa importante na política de destruição dos yazidis", defendeu a promotora, Sophie Havard, em seus argumentos finais.
O EI considerava esta minoria de língua curda e adepta de uma religião pré-islâmica como herege.
J.V.Jacinto--PC