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Bolívia e DEA retomam investigações conjuntas sobre narcotráfico após 18 anos
A Bolívia voltou a investigar em conjunto casos de narcotráfico com a DEA, antes mesmo de a agência antidrogas americana reabrir seu escritório no país, de onde foi expulsa há 18 anos, disse à AFP o czar antidrogas boliviano nesta quarta‑feira (1º).
Em 2008, o então presidente indígena Evo Morales (2006-2019) rompeu relações com os Estados Unidos e expulsou a DEA por seu suposto apoio a um complô contra seu governo.
A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína do mundo, depois da Colômbia e do Peru.
Rodrigo Paz (centro-direita), que assumiu a Presidência em novembro após 20 anos de socialismo, deu uma guinada radical na política externa boliviana, em busca de cooperação econômica e de segurança com o governo do presidente americano, Donald Trump.
"Agora esperamos que [os agentes da DEA] voltem a ter um escritório permanente" na Bolívia, embora já "seja como se estivessem aqui, porque há um trabalho conjunto, de investigações conjuntas", disse Ernesto Justiniano, vice-ministro de Defesa Social e responsável pela política de combate às drogas do país.
"Com a DEA está se investigando, está se trocando informação", detalhou.
Justiniano destacou que também trabalha com a Polícia Federal do Brasil para enfrentar facções brasileiras que se instalaram no leste da Bolívia, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
- Cooperação estreita -
Em março, o governo boliviano aderiu ao Escudo das Américas, uma iniciativa dos Estados Unidos para cooperar no combate ao crime transnacional com países da América Latina e do Caribe.
Seus primeiros frutos foram vistos dias depois, quando a polícia boliviana, em cooperação com a Inteligência americana e de países vizinhos, capturou na cidade de Santa Cruz o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, um dos mais procurados do continente.
Investigado por supostamente movimentar 16 toneladas de cocaína, ele foi entregue naquele mesmo dia a agentes da DEA, que o levaram em um avião para território americano, onde enfrentará um julgamento por lavagem de dinheiro.
A iniciativa "está funcionando [...], há uma decisão política de trabalhar" de maneira coordenada, disse o alto funcionário boliviano. "Realmente estamos trabalhando de forma [...] sustentada quase diariamente em temas de troca de informação", acrescentou.
A agência antidrogas dos Estados Unidos já apoia o governo boliviano com a aplicação de testes de polígrafo em policiais antinarcóticos. Cerca de 250 agentes já foram submetidos a esses exames de "confiabilidade", segundo Justiniano, que não revelou os resultados.
S.Caetano--PC