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Paris suspende 31 monitores escolares por supostos abusos sexuais
Sob pressão, o novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou nesta sexta-feira (3) um plano milionário para responder às denúncias de supostos abusos sexuais nas escolas, que resultaram na suspensão de 31 monitores desde o início do ano.
O político socialista, de 48 anos, assumiu o cargo no domingo passado e anunciou a questão dos abusos como sua "primeira luta", depois que seus adversários na campanha eleitoral responsabilizaram sua antecessora, Anne Hidalgo, pela situação.
Em Paris, a prefeitura é responsável por contratar e formar os monitores que cuidam e organizam atividades com as crianças após as aulas nas escolas públicas, antes que os pais consigam buscar os estudantes.
"É necessário revisar tudo desde o começo com um objetivo: tolerância zero", declarou o prefeito socialista, que em novembro confessou ter sido vítima de abusos na infância, durante uma atividade extracurricular.
Desde o início do ano, 78 monitores foram suspensos, incluindo 31 por suspeitas de violência sexual, afirmou Grégoire, que prometeu "transparência total" às famílias, cuja "revolta" ele considera "legítima".
Entre os monitores suspensos em 2026 por violência física ou sexual, nove trabalhavam na mesma escola de educação infantil. Os pais dos alunos acusaram a direção da instituição de não informá-los sobre as suspeitas.
"A imensa maioria dos casos de violência sexual remonta a 2024 e, sobretudo, a 2025", principalmente em escolas de educação infantil, explicou Grégoire. No ano passado, a prefeitura afastou 16 monitores por suspeitas, segundo dados do município.
"Se houve um erro coletivo, foi tratar estes casos como incidentes isolados quando, na realidade, refletem um risco sistêmico e talvez, até mesmo, um código de silêncio sistêmico", reconheceu o prefeito ao jornal Le Monde.
Os alunos da educação infantil eram especialmente vulneráveis e quase todos os supostos agressores eram homens, segundo o prefeito.
- "É um começo" -
Paris pretende destinar 20 milhões de euros (23 milhões de dólares, 118 milhões de reais) para o plano, que inclui um processo de seleção e formação aperfeiçoado dos monitores, canais mais claros para denunciar abusos e transparência com os pais.
Grégoire, que recebeu na segunda-feira os representantes das associações de pais e mães, anunciou que a prefeitura publicará a cada trimestre as estatísticas sobre casos e suspensões de monitores. Também informará as famílias sobre o resultado e os detalhes dos procedimentos abertos.
"É um começo. Algumas das nossas propostas foram retomadas, mas faltam medidas de urgência", disse à AFP Barka Zerouali, cofundadora do grupo '#MeTooEcole' e líder de uma petição que conseguiu mais de 22.300 assinaturas.
Na França, o movimento feminista #MeToo, que revelou casos de agressões sexuais contra mulheres, também permitiu quebrar o tabu em setores da sociedade como o cinema e em outros grupos, como as crianças.
Em 2021, a Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja (Ciase) calculou que 216.000 menores de idade foram vítimas de padres e religiosos entre 1950 e 2020, número que sobe para 330.000 quando são contabilizados os funcionários de instituições religiosas.
Um dos casos mais conhecidos dos últimos anos foi o de Betharram. Mais de 200 ex-alunos desta escola católica do sudoeste da França denunciaram agressões físicas e sexuais durante décadas.
B.Godinho--PC