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Pescadores denunciam ataque de drones a barco no Equador
Cerca de 20 pescadores equatorianos resgatados em águas de El Salvador chegaram nesta terça-feira (7) ao seu país, onde denunciaram que seu barco foi bombardeado por drones em alto-mar.
O pesqueiro perdeu contato em 26 de março, após zarpar de Manta, sudoeste do Equador, um dos focos da guerra contra o narcotráfico travada pelo presidente Daniel Noboa com o apoio dos Estados Unidos.
Setenta por cento da cocaína procedente de Colômbia e Peru, os maiores produtores mundiais, transita pelo Equador.
No aeroporto internacional de Manta, cercados de familiares que os aguardavam com balões, os pescadores relataram seu sofrimento no mar. "Estava guardando os peixes quando ouvimos a primeira explosão. Depois, quando subi, vi o drone ali e ele explodiu novamente", descreveu Jonathan Villafuerte.
Um porta-voz militar disse à AFP que não havia informações sobre as denúncias dos pescadores.
Segundo Sebastián Palacios, outro tripulante, os pescadores acenaram com um pano branco após as explosões, embarcaram em uma lancha e se aproximaram de "uma patrulha onde estavam os estrangeiros".
Desde setembro, os Estados Unidos atacam supostas embarcações ligadas ao tráfico de drogas no Caribe e no Pacifico Leste, o que já causou 150 mortes. Washington não apresentou provas conclusivas de que os tripulantes mortos tivessem envolvimento com o narcotráfico.
"Quando embarcamos, eles nos algemaram e cobriram nossas cabeças", descreveu Palacios, acrescentando que "afundaram o barco e as lanchas". Segundo o tripulante, os equatorianos foram entregues a uma patrulha de El Salvador.
Um dos pescadores, que preferiu não se identificar, comentou que a embarcação não foi inspecionada. "Perdemos tudo e quase perdemos a vida, como se fôssemos criminosos."
O incidente ocorreu após um incêndio registrado no mês passado em outro barco de pesca do Equador, com 16 ocupantes, que também denunciaram um bombardeio, não confirmado.
O ministro do Interior do Equador, John Reimberg, alertou a população para que evite embarcações relacionadas ao narcotráfico. "Elas entram em águas internacionais e vão ser atacadas", advertiu, em entrevista de rádio.
P.Queiroz--PC