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Rússia proíbe grupo ganhador do Nobel e faz operação em jornal independente
A Rússia proibiu nesta quinta-feira (9) a organização de direitos humanos Memorial, ganhadora do Nobel da Paz em 2021, e realizou uma operação na sede do jornal independente Novaya Gazeta.
Memorial e Novaya Gazeta são as duas organizações russas mais respeitadas que informam e documentam violações dos direitos humanos.
Desde que enviou tropas à Ucrânia, há quatro anos, o Kremlin não apenas reprime a oposição à guerra, mas também lançou uma campanha mais ampla contra a dissidência, o que não acontecia desde a era soviética.
A Memorial foi fundada no fim da década de 1980, para documentar as vítimas da repressão política nesse período, no qual milhões de pessoas morreram no sistema penal do Gulag.
Sob pressão do governo desde sua criação, a Memorial foi dissolvida formalmente pela Suprema Corte da Rússia em 2021. Desde então, opera em grande parte do exterior.
Uma decisão judicial de hoje classifica a organização como "extremista" e proíbe qualquer cooperação com esse grupo, além de permitir que seus simpatizantes sejam processados.
O Novaya Gazeta, por sua vez, foi fundado em 1993 e reconhecido durante anos como principal veículo independente da Rússia. Ele foi alvo de autoridades por sua postura crítica em relação ao regime e por suas investigações sobre violações de direitos humanos.
Forças de segurança russas entraram hoje na sede do jornal e prenderam um de seus principais jornalistas investigativos, segundo o veículo.
"Por volta das 12h, agentes encapuzados iniciaram uma busca na redação do Novaya Gazeta", publicou o jornal em suas redes sociais. "Não sabemos o motivo. Os advogados do jornal não foram autorizados a entrar no escritório, onde alguns funcionários também estavam presentes", acrescentou.
Duas vans do Comitê de Investigação da Rússia estacionaram em frente à sede do jornal, e vários funcionários ocuparam o saguão do prédio.
O veículo, que era publicado em vários dias da semana, reduziu sua produção na Rússia após o início da guerra, mas sua versão eletrônica continuava disponível, apesar das ordens judiciais.
Então redator-chefe do jornal, Dmitry Muratov conquistou em 2021 o Nobel da Paz, por seus "esforços para proteger a liberdade de expressão".
F.Ferraz--PC