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Papa chega ao Camarões na segunda escala de sua viagem à África
O papa Leão XIV chegou ao Camarões nesta quarta-feira (15) para uma visita de três dias, na segunda escala de sua viagem à África, durante a qual visitará uma das áreas mais violentas do país para enviar uma mensagem de paz.
Leão XIV aterrissou pouco antes das 14h GMT (11h de Brasília) no aeroporto de Yaoundé, vindo da Argélia, onde sua viagem foi ofuscada por um duplo atentado suicida a aproximadamente 40 km de Argel, onde estava, e pelas críticas do presidente americano, Donald Trump.
Ele tem previsto se reunir na capital camaronesa com o presidente Paul Biya, de 93 anos, decano dos chefes de Estado do mundo. Depois, fará um discurso para as autoridades e o corpo diplomático no Palácio da Unidade.
Instrumentos de percussão e cantos dos coros ressoaram em frente ao aeroporto de Yaoundé, onde milhares de camaroneses se reuniram debaixo de um sol forte para receber o papa.
"Esperamos que, enquanto pisar o solo camaronês, a guerra pare", disse à AFP Bénédicte Bélinka, vestida com um tecido com a efígie do papa.
Na quinta-feira, o pontífice viajará para a cidade de Bamenda, no noroeste do país, epicentro da insurgência separatista, onde vai orar pela paz diante de milhares de fiéis.
Esta região anglófona é cenário de confrontos entre forças governamentais e grupos separatistas, que deixaram milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.
Na segunda-feira, grupos separatistas anunciaram uma trégua de três dias nos combates a partir desta quarta-feira para receber o papa com segurança na região, onde vivem quase 20% da população.
Tatah Mbuy, sacerdote em Bamenda, viajou até a capital para receber o pontífice. "É uma oportunidade de ouro. Cada camaronês espera que o papa venha pregar a paz", assegurou.
- Alcançar uma "solução pacífica" -
No Camarões, país da África Central onde cerca de 37% de seus 30 milhões de habitantes são católicos, a Igreja desempenha um papel de mediação e administra uma grande rede de hospitais, escolas e obras beneficentes.
Leão XIV, de 70 anos, também tem previsto visitar um orfanato católico e em seguida vai celebrar um encontro privado com os bispos do país.
O conflito no país começou em 2017 após a repressão aos protestos e opõe separatistas que proclamaram a "República da Ambazônia" ao governo central.
Encurralados, os civis se tornaram alvo de extorsões, violência, sequestros e assassinatos. Ao menos 6.000 deles morreram desde 2016, segundo a ONU.
Leão XIV fará um discurso e celebrará uma missa no aeroporto da cidade de Bamenda, que foi reformado para a ocasião.
"Enquanto o papa pisar na terra de Bamenda, queremos paz, todos os assassinatos e sequestros devem cessar", disse à AFP Giovanni Mbuna, fiel de 36 anos que foi sequestrado por separatistas em 2023.
"A visita do papa abrandará o coração dos extremistas para que possamos encontrar um terreno de entendimento (...) e alcançar uma solução pacífica", afirmou, por sua vez, Andrew Fuanya Nkea, arcebispo de Bamenda e presidente da Conferência Episcopal do Camarões.
A visita do papa ao país se encerrará na próxima sexta-feira em Duala, a capital econômica do país, onde celebrará uma missa em um estádio com capacidade para milhares de pessoas.
A viagem de Leão XIV pela África começou na segunda-feira na Argélia, onde o papa permaneceu por dois dias. Ali, o sumo pontífice instou que se continue o "diálogo" com os muçulmanos e fez um chamado ao "perdão" diante do Monumento dos Mártires, vítimas da sangrenta guerra da independência contra a França (1954-1962).
O líder do 1,4 bilhão de católicos do mundo continuará seu périplo de 18.000 km em Angola e Guiné Equatorial, até 23 de abril.
L.Carrico--PC