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Diretor do Instagram rejeita noção de 'dependência clínica' das redes sociais
O diretor-executivo do Instagram, Adam Mosseri, rejeitou nesta quarta-feira (11) a noção de "dependência clínica" das redes sociais, e falou em "uso problemático", durante um julgamento histórico do Google e da Meta, que busca determinar se as plataformas foram desenhadas para causar vício em crianças.
A Meta, matriz do Instagram e do Facebook, e o YouTube, pertencente ao Google, são acusados de terem projetado suas plataformas com o objetivo de capturar a atenção dos usuários em benefício das companhias. A decisão deste caso criará jurisprudência para dezenas de processos judiciais enfrentados pelas redes sociais.
"É importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático", disse Mosseri, ao ser interrogado pelo advogado da parte demandante, Mark Lanier. "Tenho certeza de que disse que estava viciado em uma série da Netflix quando a maratonei até muito tarde da noite, mas não acho que isso seja o mesmo que uma dependência clínica", acrescentou.
Lanier contestou esse ponto, ao ressaltar que a testemunha não possuía formação em medicina ou psicologia. "Nunca afirmei ser capaz de diagnosticar a dependência", respondeu Mosseri.
- Negócio x segurança -
O conceito de dependência é a chave neste julgamento, que se concentra na denúncia de uma mulher de 20 anos, identificada como Kaley G. M., que afirma ter sofrido danos mentais graves causados pelas redes sociais.
A demandante começou a usar o YouTube aos 6 anos e entrou no Instagram aos 11, antes de passar para o Snapchat e o TikTok dois ou três anos depois.
Em suas declarações iniciais, o advogado da Meta, Paul Schmidt, argumentou que a deterioração do estado psicológico da demandante se devia a problemas familiares.
Mosseri foi a primeira figura importante do Vale do Silício a depor perante o júri de 12 integrantes. Ele também rejeitou a ideia de que a Meta priorizasse seus lucros em detrimento da segurança de seus usuários.
"Proteger os menores a longo prazo é bom até mesmo para os negócios e para os lucros", afirmou o executivo. "Acho que é importante para as empresas, incluindo a nossa, garantir que o que produzimos é seguro."
Um depoimento do diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, está previsto para 18 de fevereiro, e no dia seguinte será a vez do chefe do YouTube, Neil Mohan. A demandante, que compareceu por alguns minutos na última segunda-feira, vai depor nas próximas semanas.
- Debate sobre a dependência -
Ao ser confrontado com e-mails internos, Mosseri defendeu a decisão de Zuckerberg de permitir em 2020, embora sem recomendar, os filtros de alteração estética no Instagram, apesar da forte oposição de outros diretores, preocupados com seus efeitos sobre as jovens.
Outros executivos destacaram a necessidade de voltar a disponibilizá-los para não perder espaço no mercado, no começo da concorrência com o TikTok. "Tentamos ser o mais protetores e menos censuradores possível", disse Mosseri.
O núcleo do julgamento não trata dos riscos para a saúde mental representados pelos vídeos hospedados nas plataformas, cuja responsabilidade sobre o conteúdo é limitada, segundo a legislação americana.
São os algoritmos e as funções de personalização, acusados de fomentar a visualização compulsiva, que levam a Meta e o YouTube ao banco dos réus. TikTok e Snapchat, também processados, assinaram um acordo confidencial antes do julgamento.
O julgamento deve durar até 20 de março. Processos semelhantes devem ocorrer ao longo do ano em Los Angeles.
No Novo México, um julgamento independente, em que a Meta é acusada de priorizar o lucro em detrimento da proteção de menores contra predadores sexuais, teve início na última segunda-feira.
B.Godinho--PC