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'Freddie Mercury vive na minha alma', diz Rami Malek em Cannes
"Freddie Mercury vive na minha alma", declarou, no Festival de Cannes, o ator Rami Malek, que interpretou o lendário cantor do Queen em "Bohemian Rhapsody" e volta a dar vida a um artista em "The man I love", na disputa pela Palma de Ouro.
"A pergunta que os atores sempre nos fazem é, 'Como você se desvincula de um personagem quando a filmagem termina?'. Mas eu nunca abandonei Freddie", afirmou Malek, de 45 anos, ao falar na quarta-feira para um pequeno grupo de jornalistas, entre eles da AFP.
"Ele vive na minha alma e espero que continue me aconselhando por toda a minha vida", acrescentou o ator americano de origem egípcia, que admitiu ter se inspirado neste papel para seu novo filme, sobre um artista homossexual que vive com aids, como Mercury.
Mas aí terminam as semelhanças. No filme, Jimmy George, cantor e ator marginal, circula pela cena underground da Nova York do final dos anos 1980, em pleno auge da epidemia de aids.
"Quando li o roteiro pela primeira vez, me perguntei se era parecido demais. Mas é um mundo diferente, uma energia diferente, então me joguei", explicou Malek.
O diretor Ira Sachs, figura-chave do cinema independente americano, recorreu às suas próprias lembranças para recriar uma sociedade atingida em cheio pela aids, mas também marcada por uma intensa energia sexual e festiva.
"Havia uma sede de viver, uma urgência provocada pelo que estava acontecendo", explicou o diretor de "Brooklyn" e "Frankie", que perdeu muitos amigos para a aids. "Tudo o que acontecia era fora do normal, um pouco como foi na pandemia de covid", destacou.
Apesar de contar com Malek no elenco, financiar o filme não foi simples. "Recebi o apoio da vigésima sexta produtora à qual recorri", contou Sachs, de 60 anos, acostumado aos longos tempos de espera do cinema independente.
"Tive que esperar nove anos entre meu primeiro e meu segundo filme", acrescentou.
Nogueira--PC