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Israel e Hezbollah prosseguem com ataques após anúncio de Trump
Israel executou ataques noturnos no sul do Líbano que deixaram pelo menos seis mortos e o Hezbollah lançou projéteis contra o país vizinho nesta terça-feira (2), apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um compromisso para moderar as hostilidades.
Os combates entre o Exército israelense e o grupo islamista apoiado pelo Irã começaram em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território de Israel como represália aos bombardeios do Estado hebreu e de Washington contra Teerã que, em 28 de fevereiro, desencadearam a guerra no Oriente Médio.
As agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua em 17 de abril.
Na segunda-feira, Trump anunciou na rede Truth Social que esperava que Israel e o Hezbollah moderassem as hostilidades e afirmou que as duas partes se comprometeram com um cessar-fogo efetivo.
O Hezbollah "concordou em parar de atirar contra Israel e seus soldados. Do mesmo modo, Israel concordou em parar de atirar neles. Vamos ver quanto tempo isso dura; tomara que seja pela ETERNIDADE!", escreveu o magnata.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o Hezbollah e Washington, terá a missão de garantir que o grupo respeite um "cessar-fogo geral" com Israel, afirmou um de seus assessores à AFP.
- "Completamente louco" -
Trump revelou que o compromisso entre as partes em conflito foi resultado de uma ligação telefônica "muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Segundo o portal americano Axios, no entanto, o presidente chamou o chefe de Governo israelense de "completamente louco" e o acusou, durante a conversa telefônica, de colocar em perigo as negociações com o Irã.
Teerã exigiu, durante as conversações indiretas com os Estados Unidos, que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região inclua um cessar-fogo efetivo na frente libanesa.
Nesta terça-feira, Mohammad Jafar Asadi, vice-chefe do comando militar central do Irã, o Khatam al-Anbiy, afirmou que a retomada da guerra contra Washington é "inevitável", segundo declarações divulgadas pela televisão estatal Irib.
"Os Estados Unidos exigem nossa rendição completa, mas a nação iraniana nunca se renderá", afirmou Asadi.
"Sem rendição, a guerra é inevitável. Então, aguardamos. A guerra não nos assusta", completou o militar.
As declarações de Trump tiveram pouco efeito na frente de batalha libanesa.
O Hezbollah reivindicou nesta terça-feira um ataque com foguetes contra um tanque israelense em Hadatha, no sul do Líbano, e afirmou no Telegram que luta contra "o avanço das forças israelenses".
O Exército israelense anunciou a interceptação de dois projéteis, sem relatar feridos.
No Líbano, os ataques israelenses tiveram como alvo, durante a noite, diversos vilarejos no sul, segundo a agência oficial libanesa ANI.
A Defesa Civil do Líbano informou nesta terça-feira que um bombardeio contra uma localidade, Marwaniyeh, deixou ao menos seis mortos e três feridos em um edifício residencial.
Além disso, a agência ANI informou que um drone matou um dentista e seus dois filhos que viajavam de carro por uma estrada no sul do país.
- "Linhas vermelhas no Líbano" -
Israel intensificou as operações militares contra o Hezbollah nas últimas semanas, alegando que deseja proteger os habitantes do norte do país. Nesta terça-feira, emitiu uma nova ordem para a cidade de Nabatiye.
Além dos ataques aéreos diários, o Exército israelense efetua a incursão terrestre mais profunda no Líbano desde o ano 2000, quando se retirou do país vizinho após 18 anos de ocupação.
Desde que o Líbano foi arrastado para o conflito regional em 2 de março, mais de 3.400 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute. O balanço do lado israelense é de 27 mortos: 26 soldados e um civil.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, recomendou na segunda-feira a continuidade das tropas das Nações Unidas no Líbano após a saída prevista, no fim de 2026, da atual força de manutenção da paz.
Nesta terça-feira, Washington recebe uma nova rodada de negociações entre emissários libaneses e israelenses, processo que tem a oposição do Hezbollah. Será a quarta reunião desde 2 de março entre representantes dos dois países, que não mantêm relações diplomáticas.
Israel já havia ameaçado na segunda-feira atacar o Hezbollah em seu reduto nos subúrbios do sul de Beirute, o que provocou pânico entre a população. Netanyahu alegou "repetidas violações do cessar-fogo" por parte do Hezbollah e ataques contra seu país.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, advertiu que "cruzar as linhas vermelhas no Líbano (...) equivale a uma guerra direta".
A agência de notícias iraniana Tasnim noticiou na segunda-feira que Teerã decidiu romper o diálogo com Washington, em particular devido à ofensiva israelense no Líbano, mas a informação não foi confirmada oficialmente.
E.Raimundo--PC