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Chanel se rende à "Blazymania"
A chegada do estilista Matthieu Blazy à Chanel no ano passado causou um frenesi na lendária marca francesa, na qual insuflou cor e vitalidade, e sobretudo impulsionou suas vendas, em um contexto sombrio para o setor de luxo.
A chegada às lojas de sua primeira coleção, em março, despertou uma paixão generalizada e via-se clientes se lançando sobre as peças, segundo vídeos que viralizaram nas redes sociais.
Alguns meses depois, em uma loja parisiense, já não havia o mesmo fervor, mas suas roupas continuavam despertando entusiasmo.
"Quando ele chegou, eu me senti deslocada, um pouco em estado de choque, e muito cética. Mas é preciso reconhecer que ele oferece mais modelos, mais novidades", comenta à AFP Rita, uma empresária libanesa que não quis revelar o sobrenome.
"Já não se trata de comprar todos os anos a mesma bolsa ou os mesmos slingbacks [sapatos sem calcanhar] em outra cor, e sim de comprar artigos novos", acrescenta, com uma bolsa modelo "31" na mão, na qual espera poder colocar seu notebook.
Alix Morabito, diretora de compras da loja de departamentos Galeries Lafayette, constata frequentemente o alcance dessa "Blazymanía": cada nova entrega gera muita expectativa e, às vezes, é difícil conseguir as peças, porque as listas de espera são intermináveis.
"Trata-se de encontrar um novo equilíbrio entre desejo, raridade e generosidade", afirma.
- "Alegria" -
Em um período complicado para o setor de luxo, algumas marcas apenas começaram a se recuperar no primeiro semestre deste ano, como, por exemplo, o gigante francês LVMH (+2%) e Hermès (+6%). Mas a Chanel conseguiu ir ainda mais longe, com receitas que dispararam 16%, segundo a Bloomberg.
"Blazy, em resumo, trouxe alegria à Chanel. Antes, não era exatamente uma festa. Agora há alegria por toda parte, inclusive nas vendas de um pop-up [loja temporária] em Xangai", levando em conta que na China os negócios não vão particularmente bem, explica Eric Briones, diretor da Paris School of Luxury.
Em 2025, Blazy assumiu o lugar de Virginie Viard, braço direito de Karl Lagerfeld e que ocupou a direção artística da casa francesa após a morte, em 2019, do estilista alemão, que dominou a marca do duplo C por mais de três décadas.
O estilista franco-belga, de 42 anos, começou na Maison Margiela em 2011, antes de passar pela Celine e pela Calvin Klein, e de se tornar, em 2021, diretor artístico da Bottega Veneta.
Em poucos anos, reinventou a marca italiana de artigos de couro, o que lhe rendeu o apelido de "mago de Milão".
- "Fora do tempo" -
Qual é agora sua fórmula mágica na Chanel?
"Ele metabolizou os códigos da marca, projetando-os em uma nova era", avalia Pierre Groppo, editor-chefe de moda e lifestyle da Vanity Fair France.
Blazy preserva os símbolos da casa fundada por Coco Chanel em 1910: o tweed (embora muitas vezes o modernize com tons iridescentes e metalizados), a camélia, as pérolas, o logotipo do duplo C, o preto e branco e a silhueta do vestido dos anos 1920 abaixo do joelho.
Mas, ao mesmo tempo, introduz acessórios e peças de uso cotidiano, recorre ao jeans e mistura tudo com humor e referências pop.
A crítica de moda do The New York Times, Vanessa Friedman, resumiu assim em seu artigo sobre a primeira coleção de Blazy para a Chanel, em outubro de 2025: "Não é o Chanel da sua avó".
"Eu queria fazer algo bastante universal, como um sonho, algo fora do tempo", explicou o estilista.
Redes como Zara, Mango ou Uniqlo retomaram rapidamente alguns elementos de sua estética, observa o analista Mario Ortelli.
Pierre Groppo ressalta, por sua vez, que surgiu um novo público masculino adepto da Chanel, interessado em "mocassins, tênis, blazers ou bolsas".
Embora a marca não tenha uma linha propriamente masculina, conta a partir deste ano com uma série de embaixadores homens, entre eles o ator chileno Pedro Pascal.
São "peças que ficam bem em todo mundo", comenta Blazy.
A.Magalhes--PC