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Greve em Hollywood continua após suspensão das negociações
Os atores em greve e os responsáveis pelos estúdios de Hollywood suspenderam suas negociações na quarta-feira, anunciaram ambos os lados, comprometendo as esperanças de uma rápida retomada da produção de filmes e séries após meses de paralisação.
As principais autoridades dos estúdios e plataformas como Disney e Netflix estavam em conversações desde a semana passada com representantes do sindicato SAG-AFTRA, que defende os interesses de 160 mil atores, dublês, dançarinos e outros profissionais da tela pequena e grande, em greve desde julho.
Mas em um comunicado divulgado na noite de quarta-feira, os estúdios, representados pela Associação de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), anunciaram a interrupção do diálogo.
"Após discussões sérias, ficou claro que a distância entre as posições da AMPTP e as da SAG-AFTRA é grande demais, e essas discussões não nos levam mais a um progresso frutífero", disseram os estúdios.
A AMPTP acusou os atores de terem exigências excessivas, incluindo uma divisão dos lucros provenientes da distribuição de obras em plataformas de streaming que "sozinha custaria mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) por ano".
Denunciando "táticas de intimidação", o sindicato de atores responsabilizou imediatamente os estúdios por "espalhar informações enganosas" sobre a proposta apresentada durante as negociações, exagerando seu custo em 60%.
"De nossa parte, fizemos concessões significativas, transformando completamente nossa proposta de divisão de lucros: custaria às empresas menos de 57 centavos por assinante a cada ano. Eles rejeitaram a proposta", informou a SAG-AFTRA em seu comunicado.
No mês passado, os estúdios e plataformas de Hollywood chegaram a um acordo salarial com outro sindicato, o dos roteiristas de Hollywood, que pôs fim a uma greve de quase cinco meses.
Dada a semelhança entre as demandas dos atores e as dos roteiristas, o otimismo sobre a possibilidade de um acordo rápido parecia condizer com a realidade, o que não se concretizou.
Embora os roteiristas tenham voltado ao trabalho, a maioria das produções não poderá ser retomada enquanto a greve dos atores continuar, que começou em julho e custa à indústria milhões de dólares a cada dia.
Assim como os roteiristas, os atores pararam de trabalhar para pedir, em particular, um aumento em sua remuneração, que na era do streaming despencou, e medidas de proteção contra a inteligência artificial (IA).
Em teoria, o acordo entre os estúdios e os roteiristas deveria ajudar os atores a imitá-los, afirmam analistas.
Mas as exigências salariais e de garantias diante da IA da SAG-AFTRA vão além das de seus colegas roteiristas.
Exigem, especialmente, um maior aumento salarial e receber uma porcentagem dos lucros quando uma série é bem-sucedida, em vez de um simples bônus.
Além disso, os atores temem que a IA seja usada para clonar sua voz e sua imagem, sem seu consentimento e sem remuneração.
C.Amaral--PC