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Reino Unido insiste em reforçar laços com a China apesar das advertências de Trump
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, insistiu nesta sexta-feira (30) que o Reino Unido tem "muito a oferecer" à China, depois que suas tentativas de reforçar os laços durante a visita ao país asiático irritaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A viagem de Starmer à China, a primeira de um chefe de Governo britânico em oito anos, segue os passos de outros líderes ocidentais que buscam contrabalançar a crescente volatilidade das políticas americanas.
Questionado na quinta-feira por jornalistas sobre a possibilidade de o Reino Unido "fazer negócios" com a China, o presidente americano advertiu que "é muito perigoso que façam isso".
Starmer reagiu dizendo que Trump também tem a previsão de visitar a China.
"Estados Unidos e Reino Unido são aliados muito próximos e, por isso, conversamos sobre a visita com a equipe dele antes de vir", disse Starmer em uma entrevista à televisão britânica.
Starmer teve reuniões na quinta-feira com os principais líderes chineses, entre eles o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang.
O líder britânico disse aos representantes empresariais do Reino Unido e da China nesta sexta-feira que os dois países estabeleceram "um diálogo cordial" e alcançaram "avanços reais".
"O Reino Unido tem muito a oferecer", afirmou em um breve discurso pronunciado em um fórum empresarial binacional organizado pelo Banco da China.
As reuniões de quinta-feira proporcionaram "exatamente o nível de comprometimento que esperávamos", disse Starmer.
Na quinta-feira, ele assinou uma série de acordos, incluindo a isenção de visto para titulares de passaporte britânico que visitarem o território chinês por menos de 30 dias, mas admitiu que não há uma data para o início da medida.
Os dois países também assinaram pactos de cooperação no combate às cadeias de abastecimento utilizadas por traficantes de migrantes, assim como para as exportações britânicas à China, na área da saúde e para o fortalecimento de uma comissão comercial entre o Reino Unido e o país asiático.
A China também concordou em reduzir as tarifas sobre o uísque britânico de 10% para 5%, segundo Downing Street.
Starmer elogiou os acordos como "simbólicos" da direção adotada pela relação bilateral.
O premiê britânico também visitará a cidade de Xangai e continuará sua viagem pela Ásia com uma breve escala no Japão, onde se reunirá com a primeira-ministra Sanae Takaichi.
As relações entre China e Reino Unido estavam em crise desde 2020, quando Pequim impôs uma severa lei de segurança nacional em Hong Kong e adotou medidas enérgicas contra os ativistas pró-democracia na ex-colônia britânica.
Contudo, a China, segunda maior economia do mundo, continua sendo o terceiro parceiro comercial do Reino Unido.
F.Cardoso--PC