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Observatório astronômico europeu celebra cancelamento de projeto de hidrogênio verde no Chile
O Observatório Europeu do Sul (ESO) saudou, nesta segunda-feira (2), o anúncio do cancelamento de um projeto de hidrogênio verde perto de Paranal, no Chile, que teria afetado o trabalho de astrônomos em uma região do Deserto do Atacama conhecida por ter os céus mais limpos do mundo.
O conglomerado AES Andes, subsidiária chilena da empresa americana AES Corporation, planejava explorar um campo de 3.000 hectares no Deserto do Atacama, perto de Paranal, para gerar energia solar e eólica e produzir hidrogênio e amônia verdes, um plano conhecido como projeto INNA.
A AES Andes anunciou no final de janeiro que havia abandonado o projeto para se concentrar em seu portfólio de energias renováveis e armazenamento de energia, segundo um comunicado. Essa decisão precisa ser ratificada pelas autoridades locais.
"Quando o cancelamento for confirmado, ficaremos aliviados pelo complexo industrial INNA não ser construído perto de Paranal", disse o diretor-geral do ESO, Xavier Barcón.
"Devido à sua localização planejada, o projeto representaria uma séria ameaça aos céus mais escuros e limpos da Terra e à operação das instalações astronômicas mais avançadas do mundo", acrescentou.
O observatório de Paranal está localizado a uma altitude de 2.635 metros e fica longe da poluição luminosa das grandes cidades, o que lhe confere condições atmosféricas únicas que o tornam um dos observatórios mais produtivos do mundo.
A localização de Paranal abriga o Very Large Telescope (VLT) do ESO ("Telescópio Muito Grande", em tradução livre), composto por quatro telescópios individuais, que forneceu a primeira imagem de um exoplaneta em 2004.
O projeto empresarial também colocou em risco o funcionamento adequado do Extremely Large Telescope (ELT) ("Telescópio Extremamente Grande", em tradução livre) , um projeto colossal com conclusão prevista para 2028.
H.Portela--PC