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Polícia Federal prende Daniel Vorcaro em escândalo do Banco Master
A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), o empresário Daniel Vorcaro, suspeito de orquestrar uma fraude bilionária através de seu Banco Master, um escândalo que ameaça abalar o poder em pleno ano eleitoral.
Vorcaro, de 42 anos, foi preso em sua residência, em São Paulo, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou à AFP uma fonte próxima ao caso.
O banqueiro já tinha sido preso em novembro quando tentava deixar o país em um jato particular e, posteriormente, foi libertado sob vigilância.
A PF informou, em um comunicado, que foram executados "4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão" em São Paulo e em Minas Gerais.
O caso Master começou em novembro com a liquidação por insolvência do banco, que deixou cerca de R$ 40,6 bilhões em dívidas para aproximadamente 800 mil investidores.
Mas acabou se transformando em uma investigação que aponta para vínculos suspeitos entre Vorcaro e figuras da política e do Judiciário, a sete meses das eleições presidenciais.
Em depoimento à PF, Vorcaro admitiu ter "amigos de todos os poderes".
A ordem de prisão do STF descreve uma organização criminosa com quatro núcleos: fraude financeira, corrupção de funcionários do Banco Central, lavagem de dinheiro e um braço de intimidação que teria monitorado ilegalmente jornalistas, ex-funcionários e autoridades.
A decisão judicial reproduz mensagens de WhatsApp, nas quais Vorcaro instrui alguém a planejar uma agressão física contra um jornalista que o havia criticado, simulando um assalto.
"Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade", afirmou o ministro do STF André Mendonça, relator do caso.
O STF também determinou o bloqueio de ativos de até R$ 22 bilhões, que se somam a apreensões bilionárias anteriores.
O caso forçou a saída do ministro José Dias Toffoli como relator do processo, após virem à tona vínculos entre o magistrado e o entorno de Vorcaro. Toffoli negou qualquer irregularidade.
A prisão ocorreu no mesmo dia em que o empresário foi convocado para depor na comissão parlamentar de inquérito que investiga o crime organizado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que admitiu ter se reunido com o banqueiro em 2024, prometeu investigar o caso até as "últimas consequências".
O cunhado e operador financeiro de Vorcaro, Fabiano Zettel, também se entregou à polícia, segundo a mesma fonte próxima ao caso.
T.Batista--PC