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Dois terços de Cuba são afetados por apagão
Dois terços de Cuba, incluindo a capital, Havana, ficaram sem energia elétrica nesta quarta-feira (4), devido a uma falha na rede nacional, em um contexto de crise econômica agravada pelo bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos à ilha.
A rede elétrica cubana sofre cortes de abastecimento regulares devido ao envelhecimento de sua infraestrutura e à escassez de combustível. Desde o fim de 2024, a ilha de 9,6 milhões de habitantes passou por cinco apagões generalizados.
A União Nacional Elétrica (UNE) informou que "a desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN)" ocorreu por volta do meio-dia no oeste e no centro do país, por causa de uma avaria na caldeira da usina Antonio Guiteras, a cerca de 100 km da capital. Dez das 15 províncias do país foram afetadas.
Além de apagões gerais recorrentes, os cubanos enfrentam longos cortes diários programados. Nos últimos dias, a capital registrou cortes de mais de 15 horas, que podem se prolongar por mais de um dia nas províncias.
Os cortes de luz se agravaram desde que o governo Trump impôs um bloqueio energético de fato, após a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, um aliado de Havana, e a interrupção, sob pressão de Washington, dos envios de petróleo de Caracas para a ilha de governo comunista.
Desde 9 de janeiro, nenhum petroleiro chegou a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, assim como a redução de alguns serviços de atendimento hospitalar.
- 'Isto já não é vida' -
O apagão caiu como um balde de água fria sobre os cubanos, que lidam diariamente com limitações de transporte e uma inflação galopante.
Damián Salvador, 51, pai de um bebê, teme perder tudo o que guarda em sua geladeira. "Carne, leite da criança, tudo", diz.
"É imprevisível quando a energia voltará, e é bem incômodo apenas pensar nesta situação", comentou Beatriz Barrios, 47, que trabalha no setor de turismo, muito afetado pelas sanções americanas.
Devido à falta de combustível, a Air France anunciou hoje que vai suspender seus voos para Havana entre o fim de março e meados de junho. Outras companhias aéreas internacionais já haviam anunciado a suspensão de seus voos para Cuba: as russas Rossiya e Nordwind, e as canadenses Air Canada, WestJet e Air Transat.
O aposentado Alfredo Menéndez, 67, já não sabe como pedir a Deus "que aconteça algo que melhore a vida" dos cubanos, porque "isto já não é vida", lamentou.
Para justificar sua política, Washington cita "a ameaça excepcional" que Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos, devido a suas relações com China, Rússia e Irã.
Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, a disponibilidade de energia elétrica no país foi reduzida em 20% em comparação com 2025, ano em que Cuba mal conseguiu cobrir metade de suas necessidades, segundo dados oficiais coletados e analisados pela AFP.
As oito usinas termelétricas do país, quase todas inauguradas nas décadas de 1980 e 1990, sofrem avarias com regularidade ou precisam permanecer fechadas por longos períodos de manutenção.
O governo cubano afirma que as sanções dos Estados Unidos o impedem de reparar sua rede elétrica, mas economistas apontam uma falta crônica de investimento do Estado nesse setor.
O Equador, cujo presidente é um aliado de Donald Trump, ordenou hoje, por motivo não divulgado, a expulsão do embaixador de Cuba em Quito e de toda a missão diplomática. Na véspera, havia determinado o encerramento das funções do seu embaixador em Havana.
A chancelaria de Cuba descreveu a decisão como "um ato hostil" que "não parece casual", no momento em que os Estados Unidos aumentam a pressão e as sanções contra a ilha.
E.Paulino--PC