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Israel ataca Irã após Trump insistir que Teerã deseja um acordo
Israel lançou ataques contra várias regiões do Irã nesta quinta-feira (26), poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmar que Teerã deseja alcançar um acordo para encerrar a guerra, apesar das negativas públicas da República Islâmica.
O conflito de quatro semanas se propagou rapidamente e afetou nações de todo o Oriente Médio, o que provoca uma crise nos mercados de energia e ameaça a economia mundial.
O Irã, sob bombardeios quase diários desde que um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel iniciou a guerra em 28 de fevereiro, foi atingido na manhã de quinta-feira pelo que o Exército israelense descreveu como "uma série de ataques em larga escala", incluindo a cidade central de Isfahan.
Por sua vez, um ataque com mísseis iranianos provocou o acionamento das sirenes no centro de Israel, em Tel Aviv e em algumas áreas de Jerusalém, durante a manhã, segundo o Exército israelense, os primeiros lançamentos identificados como procedentes do Irã em mais de 14 horas.
Na noite de quarta-feira, Trump, cujas declarações diárias oscilam entre ameaçadoras e conciliadoras, reiterou que há negociações em curso com o Irã, mas que as autoridades em Teerã ocultam as conversações por "medo".
"Eles estão negociando e querem muito chegar a um acordo, mas têm medo de dizê-lo, porque temem ser assassinados por sua própria gente", disse o presidente americano durante um jantar com congressistas republicanos.
"Também têm medo de que nós os matemos", acrescentou.
Contudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que seu país "não tem a intenção de negociar".
As iniciativas diplomáticas foram intensificadas nos últimos dias, mas sem sucesso.
Duas fontes de alto escalão do governo de Islamabad afirmaram que o Paquistão transmitiu a Teerã um plano americano de 15 pontos para interromper os combates.
A emissora estatal iraniana Press TV, no entanto, citou um funcionário não identificado do governo que afirmou que o Irã "respondeu negativamente" à proposta.
O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, afirmou que os sinais de que as partes poderiam estar abertas a conversações representam um "raio de esperança" para a paz.
- Represálias no Golfo -
O Irã prossegue com os ataques de represália contra Israel e os países do Golfo, acusados por Teerã de servir como plataformas de lançamento para os ataques americanos.
A Arábia Saudita anunciou que interceptou pelo menos 18 drones, enquanto os Emirados Árabes Unidos responderam a um novo ataque com mísseis e drones e o Bahrein relatou um incêndio em uma instalação provocado pela "agressão iraniana", sem revelar mais detalhes.
O Kuwait também relatou um novo ataque com mísseis e drones nesta quinta-feira, um dia após uma aeronave não tripulada ter atingido um tanque de combustível e provocado um incêndio no Aeroporto Internacional do Kuwait.
A guerra também se propagou ao Líbano, depois que o movimento pró-Irã Hezbollah começou a lançar foguetes contra Israel em 2 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei no primeiro dia do conflito.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que qualquer negociação com Israel seria o equivalente a uma "rendição", antes do lançamento de mísseis na madrugada de quinta-feira contra instalações militares no centro do Estado hebreu, onde as sirenes antiaéreas foram acionadas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o Exército criou uma "verdadeira zona de segurança" no sul do Líbano e estava ampliando a área.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu às partes que interrompam os combates.
- Mercados -
Com milhares de soldados americanos adicionais, segundo relatos, seguindo para o Oriente Médio, o Irã também ameaçou abrir uma nova frente de batalha com ataques ao tráfego no Mar Vermelho caso os Estados Unidos iniciem uma invasão terrestre.
Se um ataque do tipo for executado, Teerã bloqueará o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, afirmou sob anonimato um oficial militar à imprensa local.
O barril de petróleo do tipo Brent, referência mundial, subia 1% nesta quinta-feira, com a cotação acima dos 100 dólares.
Apesar da queda dos preços do petróleo na comparação com a semana passada, a incerteza e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e do gás exportados no mundo, ainda representam uma sombra complexa para os mercados.
burs-jfx-maj/ceg/arm/pc/fp
P.L.Madureira--PC