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Irã acusa governo americano de planejar ofensiva terrestre
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou neste domingo (29) o governo dos Estados Unidos de planejar "em segredo" uma ofensiva terrestre, ao mesmo tempo que divulga mensagens sobre negociações de paz para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump mantém um discurso ambíguo há várias semanas sobre a possibilidade de ataque terrestre.
Segundo o jornal Washington Post, que cita fontes do governo americano que solicitaram anonimato, o Pentágono se prepara para executar operações terrestres de várias semanas que não seriam uma invasão em larga escala, e sim incursões de forças especiais no território iraniano.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, havia descartado a possibilidade na sexta-feira, ao insistir que os "objetivos" da guerra no Irã podem ser alcançados sem o envio de tropas terrestres.
"Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre", afirmou Qalibaf em um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias IRNA.
Um navio americano de ataque anfíbio, à frente de um grupo que inclui 3.500 marinheiros e integrantes do Corpo dos Fuzileiros Navais, chegou na sexta-feira à região.
Paralelamente, os esforços diplomáticos prosseguem para tentar acabar com a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo e na segunda-feira em Islamabad, capital paquistanesa, para abordar o conflito.
A guerra afeta a economia mundial e, neste domingo, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, reivindicou os ataques de sábado contra duas grandes fábricas de fundição de alumínio, localizadas no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo a Guarda iraniana, as duas fábricas — Aluminium Bahrain (Alba) e Emirates Global Aluminium (Ega) — "desempenham um papel importante no fornecimento das indústrias militares do exército americano".
- Conter a escalada de preços -
O Irã continua sendo alvo de bombardeios e, segundo a agência IRNA, cinco pessoas morreram neste domingo em um ataque contra o porto de Bandar Khamir, perto do estratégico Estreito de Ormuz.
Em Teerã, um jornalista da AFP relatou duas explosões e colunas de fumaça no leste da cidade.
"Estamos indefesos diante de um governo que mata, e também não queremos esta guerra. Só queremos uma vida normal", disse à AFP uma artista de 32 anos que mora na capital iraniana.
Desde o início da guerra, o Irã bloqueia o estratégico Estreito de Ormuz - por onde passava 20% do petróleo mundial antes do conflito -, o que provocou uma crise energética global.
De Bangcoc a Berlim, passando por Tóquio ou Paris, governos de todo o mundo estão aplicando medidas de urgência para tentar conter a escalada de preços.
A crise pode ser agravada pela entrada na guerra dos rebeldes huthis do Iêmen, aliados do Irã, que no sábado lançaram mísseis contra Israel.
De suas posições estratégicas, os insurgentes iemenitas têm a possibilidade de prejudicar o tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb, um dos corredores marítimos mais movimentados do mundo.
A Guarda Revolucionária também ameaçou atacar os campi de universidades americanas no Oriente Médio.
Em Israel, o Exército, assim como nas noites anteriores, anunciou o lançamento de mísseis iranianos em direção ao território do país e pediu à população que procurasse abrigo.
Kuwait e Emirados Árabes Unidos também relataram ataques com drones e mísseis na madrugada de domingo.
burx-cjc/pc/meb/fp
Ferreira--PC