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Irã e Israel ameaçam retomar hostilidades
A trégua entre o Irã e os Estados Unidos parece à beira do colapso nesta quarta-feira (8) à noite, depois que Teerã e Israel ameaçaram retomar as hostilidades.
O Paquistão, mediador no cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, pediu nesta quarta-feira às partes "moderação" após Israel bombardear massivamente o Líbano e o Irã voltar a atacar vários países do Golfo.
"Violações do cessar-fogo foram registradas em alguns pontos da zona de conflito, o que prejudica o espírito do processo de paz", afirmou na rede X o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país sediará negociações entre o Irã e os Estados Unidos na sexta-feira.
Segundo a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviará a Islamabad sua equipe de negociadores, liderada pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, seu genro.
Uma das primeiras consequências do anúncio da trégua foi observada no Estreito de Ormuz, uma estratégica via marítima que o Irã mantinha fechada desde o início da guerra e que reabriu nesta quarta-feira.
Israel e os Estados Unidos deixaram de bombardear o Irã após 39 dias de conflito, mas a situação regional está longe de ser tranquila, sobretudo na república islâmica e no Líbano.
As forças armadas israelenses afirmaram respeitar o cessar-fogo, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu: "Continuamos com o dedo no gatilho. Este não é o fim da campanha, mas mais um passo no caminho para alcançar todos os nossos objetivos".
No Líbano, arrastado para a guerra por ataques do movimento pró-iraniano Hezbolá contra território israelense, os bombardeios continuaram.
O primeiro-ministro paquistanês havia declarado que o cessar-fogo seria aplicado "em toda parte", incluindo o Líbano, mas Trump disse que esse país ficou fora do acordo "por causa do Hezbollah".
O Exército israelense afirmou ter lançado seu "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah desde o início de março. O ataque provocou 112 mortos e 837 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês.
— O Hezbollah defende seu "direito de responder" —
"Vi um bombardeio, foi muito forte, morreram crianças, outras ficaram sem braços", declarou à AFP Yaser Abdalah, que trabalha em uma loja de eletrodomésticos perto de uma das áreas atacadas de Beirute.
A Guarda Revolucionária iraniana também ameaçou responder.
Outro elemento que pode fragilizar o cessar-fogo vem da proposta de dez pontos apresentada pelo Irã a Washington.
O projeto publicado pelo Irã menciona "a manutenção do controle iraniano no Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento [de urânio], o levantamento de todas as sanções", entre outras questões.
Donald Trump declarou-se disposto a "discutir" o "levantamento (...) das sanções", mas afirmou que não haverá "nenhum enriquecimento de urânio", um processo que, segundo países ocidentais, o Irã busca utilizar para desenvolver uma bomba nuclear. A república islâmica nega.
— Alívio nos mercados —
Após uma terça-feira marcada por bombardeios e ameaças de aniquilar a "civilização" iraniana por parte de Trump, o anúncio de uma trégua ocorreu durante a madrugada no Irã.
"Meus amigos mais próximos e eu estamos um pouco confusos. Para que serviu tudo isso? Atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo do Irã", afirmou da capital um corretor de bolsa de 30 anos, ouvido pela AFP.
Por sua vez, Simin, uma professora de inglês de 48 anos, residente em Teerã, disse à AFP que "ainda [tem] dores por causa do medo".
Ainda assim, o Irã anunciou nesta quarta-feira que derrubou um drone de fabricação israelense e denunciou "violações do cessar-fogo".
O Kuwait afirmou ter sido alvo de uma "intensa onda de ataques" iranianos nas últimas horas, e nos Emirados Árabes Unidos também foram relatados disparos de mísseis e drones.
O Irã afirmou que respondeu dessa forma a bombardeios anteriores contra suas instalações petrolíferas.
Apesar desses incidentes, a reabertura do Estreito de Ormuz trouxe alívio aos mercados. Os preços do petróleo caíram e as bolsas subiram.
Um navio grego e outro com bandeira da Libéria foram os primeiros a passar por essa via estratégica, por onde costumavam transitar 20% dos hidrocarbonetos consumidos mundialmente antes da guerra.
A Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência da ONU responsável pela segurança no mar, afirmou que está preparando um mecanismo para garantir a “segurança do trânsito”.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmou que o estreito permanecerá aberto "por um período de duas semanas", mas que o Exército iraniano "vigiará" a "passagem diária limitada dos navios".
burx-am-cnp/anb/pc-jvb/avl/aa-jc/mvv/am
M.A.Vaz--PC