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'O futebol nos pôs no mapa-múndi', diz primeiro-ministro de Curaçao
O primeiro-ministro de Curaçao, Gilmar "Pik" Pisas, disse à AFP que espera que o turismo em seu país - o menor a se classificar para uma Copa do Mundo - se beneficie da repercussão midiática do torneio.
Pisas explicou que não tem "pressa" em reabrir a mega-refinaria Isla, fechada há mais de cinco anos devido às sanções americanas contra a vizinha Venezuela.
Ele assegurou que a pequena ilha, no passado um paraíso fiscal, agora respeita todas as leis financeiras internacionais.
O futebol "nos pôs no aspecto internacional, no mapa-múndi (...) Simplesmente temos que nos organizar melhor internamente", comemorou o primeiro-ministro de 54 anos em entrevista à AFP.
- Turismo em alta -
"O fluxo de pessoas que vão vir a Curaçao" vai aumentar, vão "saber de onde vêm esses rapazes (os jogadores de futebol). Como é o nosso país. Quão grande é. O que mais temos para oferecer. Será forte economicamente", disse Pisas.
O turismo aumentou 13% no primeiro trimestre e representa entre 35% e 40% da receita desta ilha de 160.000 habitantes. Segundo dados da Agência de Turismo, Curaçao recebeu em 2025 cerca de 1,5 milhão de turistas.
O outro antigo pilar da economia curaçauense, a mega-refinaria Isla, com capacidade para processar aproximadamente 350.000 barris por dia, segue paralisada devido às sanções americanas contra a Venezuela. Curaçao tentou, em vão, reativar a atividade em várias ocasiões.
Pisas espera que, após a captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, em janeiro, Washington destrave a situação e permita o retorno da gigante estatal petroleira Petróleos de Venezuela (PDVSA).
- "A PDVSA vai voltar!" -
"A PDVSA está se abrindo mais. Porque agora Estados Unidos e Venezuela estão no espaço da cooperação, estão trabalhando bem", analisou Pisas.
Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, impulsiona uma distensão com os Estados Unidos e novas leis sobre o petróleo e a mineração para satisfação do presidente americano, Donald Trump. Washington flexibilizou as sanções.
"Eu também tenho que ir à Venezuela (...) Temos boa comunicação", afirmou Pisas, que disse esperar ter uma boa conversa com Rodríguez "para que a PDVSA possa começar de novo".
"A PDVSA vai voltar! (...) Estou certo de que (voltará) com o tempo. Porque agora, lá (na Venezuela) têm que investir muito" para reparar e modernizar as instalações, disse. "Os Estados Unidos estão descongelando os ativos (...) Acho que (os venezuelanos) vão se estabilizar. Eles me disseram: 'Deem-nos um ano. A partir daí, podemos falar'".
"Não tenho pressa. Ainda temos receita para manter a operação da refinaria com o armazenamento", detalhou. Mas ressaltou que não quer voltar à contaminação de antes, agora que o país investe no turismo.
"Temos que levar em conta os aspectos ambientais. Não podemos apenas abrir, emitindo essa fumaça que emitiam antes. Essa chaminé. Isso não dá mais (...) Se isso não for possível, então não vamos abrir", afirma.
"No passado, havia muita gente trabalhando ali (...) Qualquer pessoa que você encontrar e perguntar, 'Onde trabalhava seu pai?', vai te dizer: 'na refinaria'".
O complexo petroleiro, que hoje emprega cerca de 500 pessoas, chegou a ter 2.500 funcionários no passado. "Com o tempo, a refinaria vai abrir e vamos ter outra vez um pilar econômico forte", disse Pisas.
Curaçao tem várias fontes de receita, que vêm do turismo e das licenças dos cassinos online, assinalou. "Isso também está nos dando muitos recursos e temos o aspecto financeiro", afirmou.
No entanto, alguns especialistas consideram que o país não se beneficia suficientemente desta receita. Segundo fontes próximas do governo, as licenças de jogo aportam, ao ano, cerca de 20 milhões de dólares (R$ 100 milhões) ao Estado, que não recebe nada ou muito pouco da atividade em si (impostos ou taxas).
O primeiro-ministro rebateu completamente as acusações de lavagem de dinheiro, que mancharam a reputação da ilha no passado.
"Não, não, não. Temos regulações. Praticamente todos os bancos trabalham com operadores bancários americanos e passamos por um escrutínio tão forte que temos que cumprir", afirmou.
Quanto à imigração, ao contrário de muitos países, Curaçao vai regularizar em breve cerca de 20.000 imigrantes venezuelanos.
"Já estão trabalhando aqui e mandam muito dinheiro para fora. E no aspecto dos impostos, também temos um grande problema", pois não declaram ao fisco por não estarem regularizados, afirmou o primeiro-ministro.
C.Amaral--PC