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Guerra no Irã começa a afetar a economia mundial, alerta FMI
A economia mundial será afetada este ano pela guerra no Oriente Médio, segundo a análise mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicada nesta terça-feira (14), que prevê um crescimento de 3,1%, uma redução de 0,2 ponto percentual na comparação com a estimativa anterior.
Os Estados Unidos serão menos afetados pelo conflito que desencadearam em conjunto com Israel. O crescimento da economia americana será de 2,3% em 2026, 0,1 ponto percentual a menos do que o previsto na publicação anterior, divulgada em janeiro.
"Nossas previsões de referência são baseadas em um conflito relativamente curto, com uma perturbação temporária do mercado de energia que desapareceria no próximo ano", destacou Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, em declarações à AFP.
"Mas antes da guerra, estávamos nos preparando para revisar as nossas previsões de alta para até 3,4%", ressaltou.
- Impacto desigual -
Se o conflito for prolongado, o impacto poderá ser enorme: o pior cenário contempla um crescimento de 2%, uma queda que recorda episódios de contração como a crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020.
Em uma decisão incomum, os dirigentes do FMI, do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (AIE) se reuniram antes do início do encontro anual do Fundo em Washington.
O diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que o mês de abril poderá ser pior do que março para o abastecimento de energia mundial.
O aumento expressivo dos preços do petróleo deverá impulsionar a inflação, que até agora permanecia moderada, para alcançar a média de 4,4% a nível mundial, ou seja, 0,6 ponto a mais do que a previsão anterior do FMI em janeiro.
Se o conflito for solucionado na mesa de negociações, "deve ocorrer um leve aumento da inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, mas não deve ser prolongado. Os preços deverão retomar sua trajetória de desaceleração em 2027", disse o economista-chefe do FMI.
O impacto do conflito, tanto em termos de perda de crescimento como de aumento de preços, é distribuído de maneira desigual pelo mundo: os preços devem subir com mais força nos países emergentes ou em desenvolvimento do que nas economias avançadas, onde a inflação deve voltar mais rapidamente a se aproximar do índice de 2% em 2027.
Sem grande surpresa, a região do Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central é a mais afetada pelos efeitos da guerra, com um crescimento reduzido à metade no conjunto dos países.
A Arábia Saudita, principal economia da região, teve uma revisão de crescimento para 3,1% neste ano, 1,4 ponto a menos do que a estimativa anterior do FMI, antes de voltar a registrar, a princípio, uma expansão em 2027.
Na América Latina e no Caribe, as perspectivas permanecem em leve alta (+0,1 ponto percentual), com um crescimento de 2,3%.
- Os emergentes resistem, as economias avançadas menos -
Entre os demais países emergentes ou em desenvolvimento, o impacto deverá ser desigual, com uma revisão em baixa do crescimento mais acentuada na África Subsaariana ou na Europa Central e do Leste do que no continente asiático, por exemplo.
O impacto deve ser mínimo, ou até inexistente, para as principais economias emergentes: a China perderia apenas 0,1 ponto de crescimento este ano, a 4,4%, enquanto a Índia vê o seu crescimento revisado em alta de 0,1 ponto, para 6,5%, e o Brasil em 0,3 ponto, a 1,9%.
Outra possível beneficiada é a Rússia, que deve registrar crescimento de 1,1% este ano, contra 0,8% da estimativa anterior.
Para Moscou, o aumento do preço do petróleo é "uma boa notícia em termos de receitas de exportação. É uma das principais razões que nos levaram a elevar a nossa projeção de crescimento para a Rússia", explicou o economista-chefe do FMI.
A zona do euro teve uma queda na previsão de crescimento de 0,2 ponto, a 1,1%, mas com um impacto que será diferente de um país para outro. A Espanha perde 0,2 ponto na comparação com a estimativa anterior, com alta de 2,1% do PIB (1,8% em 2027). A Alemanha crescerá apenas 0,8% e a França 0,9%.
A.Magalhes--PC