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Lucros dos bancos nos EUA disparam e consumidores resistem à alta do petróleo
Os grandes bancos dos Estados Unidos informaram nesta terça-feira (14) lucros em alta e destacaram a solidez das empresas e de seus clientes no país, apesar do aumento dos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio.
Em um contexto de tensões econômicas, os gigantes JPMorgan Chase e Goldman Sachs reportaram um sólido aumento de seus ganhos no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo resultados publicados na segunda e terça-feira.
No caso do JPMorgan Chase, os lucros chegaram a 16,5 bilhões de dólares (R$ 82,17 bilhões), 13% a mais que no mesmo período do ano anterior, enquanto as receitas aumentaram 10%, alcançando 49,8 bilhões de dólares (R$ 248 bilhões).
Seu influente diretor executivo, Jamie Dimon, afirmou nesta terça-feira que a economia dos Estados Unidos demonstra resiliência, ao mesmo tempo em que enfrenta riscos.
Em um comunicado, Dimon se referiu a "ventos favoráveis" que impulsionam a economia, entre eles o estímulo fiscal e o investimento em inteligência artificial.
"A economia dos Estados Unidos continuou resiliente no trimestre, com os consumidores ainda ganhando e gastando e as empresas ainda em boa saúde", disse Dimon.
"Ao mesmo tempo, existe um conjunto cada vez mais complexo de riscos, como as tensões geopolíticas e as guerras, a volatilidade dos preços da energia, a incerteza comercial, os grandes déficits fiscais globais e os elevados preços dos ativos".
O forte aumento dos preços do petróleo se traduziu em preços nacionais da gasolina acima de 4 dólares por galão pela primeira vez desde agosto de 2022, um problema aberto para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Embora os preços mais altos da gasolina representem uma carga maior para os lares de menor renda, Dimon disse que um mercado de trabalho sólido nos Estados Unidos continua sendo um fator de apoio.
O JPMorgan Chase obteve maiores receitas com comissões de banco de investimento e apresentou bons resultados em seu negócio de trading. Os volumes costumam aumentar em períodos de volatilidade do mercado como março, quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã impulsionaram o preço do petróleo e pressionaram as ações.
A provisão do JPMorgan Chase para enfrentar possíveis empréstimos inadimplentes foi de 2,1 bilhões de dólares (R$ 10,4 bilhões), abaixo dos 2,6 bilhões (R$ 12,9 bilhões) registrados no mesmo período do ano anterior.
- Resiliência é a palavra -
Na segunda-feira, o Goldman Sachs também reportou resultados sólidos para o primeiro trimestre.
O banco de investimento com sede em Nova York registrou um aumento de 18% em seu lucro trimestral, chegando a 5,4 bilhões de dólares (R$ 26,9 bilhões), impulsionado pelas receitas de assessoria financeira.
As receitas totais aumentaram 14%, alcançando 17,2 bilhões de dólares (R$ 85,6 bilhões).
Embora o "nível de incerteza seja maior" por causa da guerra, o CEO David Solomon explicou aos analistas que os clientes continuam interessados em grandes operações.
"Continuamos vendo uma atividade significativa na frente de fusões e aquisições", afirmou Solomon em uma teleconferência. "Não vemos que isso esteja desacelerando".
No Citigroup, os lucros também aumentaram, 42%, chegando a 5,8 bilhões de dólares (R$ 28,9 bilhões), enquanto as receitas subiram 14%, alcançando 24,6 bilhões de dólares (R$ 122,5 bilhões) no trimestre.
O banco registrou crescimento generalizado em todas as suas áreas de negócios, liderado por suas divisões de mercados e serviços. No entanto, aumentou sua provisão para perdas de crédito em cerca de 600 milhões de dólares (R$ 3 bilhões), citando maior incerteza nas perspectivas macroeconômicas.
O diretor financeiro do grupo, Gonzalo Luchetti, descreveu o consumidor americano como resiliente e destacou um nível estável de inadimplência ao longo do tempo.
Por sua vez, o Wells Fargo reportou lucros de 5,2 bilhões de dólares (R$ 25,9 bilhões) no primeiro trimestre, um aumento de 7% em relação ao nível de um ano antes.
As receitas subiram 6%, alcançando 21,4 bilhões de dólares (R$ 106,5 bilhões).
O CEO, Charlie Scharf, atribuiu o aumento dos lucros ao crescimento dos empréstimos e dos depósitos, e também destacou que o crédito dos clientes é sólido.
"Embora os mercados tenham sido voláteis, continuamos observando uma resiliência sustentada na economia subjacente [real, ndr], e a saúde financeira dos consumidores e das empresas que atendemos permanece sólida", resumiu.
T.Vitorino--PC