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Turismo despenca em Cuba no primeiro trimestre de 2026
A chegada de turistas a Cuba desabou no primeiro trimestre do ano, afetada pelo bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos e pela suspensão de voos internacionais.
Entre janeiro e março, a ilha recebeu 298.057 visitantes estrangeiros, 48% a menos que no mesmo período de 2025, segundo números divulgados pelo Escritório Nacional de Estatística e Informação.
A queda foi drástica em março, quando apenas 35.561 turistas chegaram ao país, um dos níveis mais baixos dos últimos anos.
O recuo agrava a crise de uma atividade fundamental para a economia cubana. O turismo é a segunda fonte de receitas em divisas e até janeiro empregava mais de 300 mil pessoas na ilha de 9,6 milhões de habitantes.
A queda atingiu todos os principais mercados emissores. O Canadá, historicamente o maior fornecedor de turistas, registrou 124.794 visitantes no trimestre, 54,2% a menos que um ano antes.
As chegadas da Rússia caíram 37,5%, enquanto as da comunidade cubana residente no exterior, em sua maioria radicada nos Estados Unidos, diminuíram 42,8%.
A deterioração do setor é prolongada. Entre 2019 e 2025, as receitas turísticas de Cuba diminuíram em cerca de 70%, segundo cálculos com base em dados oficiais, após o auge gerado pelo degelo diplomático com os Estados Unidos, o posterior impacto da pandemia de covid e o reforço das sanções americanas.
Mesmo antes do bloqueio energético imposto por Washington em janeiro deste ano — após o qual Cuba recebeu apenas um carregamento de combustível russo —, o turismo já havia caído 17,8%, com baixas em todos os mercados históricos.
Em 2025, as chegadas do Canadá diminuíram 12,4%, as de cubanos residentes no exterior 22,6%, as da Rússia 29% e as da Alemanha, 50,5%.
Após o anúncio oficial, em fevereiro, sobre a escassez de combustível para a aviação, companhias aéreas canadenses, russas e europeias anunciaram a suspensão temporária de seus voos para a ilha, sem indicar uma data para a retomada.
Ao contrário de outros destinos do Caribe, o turismo cubano não conseguiu se recuperar do impacto da pandemia, nem do aumento da pressão americana durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017‑2021).
O bloqueio energético também teve um forte impacto sobre outros setores geradores de divisas para Cuba, como a exportação de serviços médicos, o níquel e o tabaco.
A.Motta--PC