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Austrália processa 3M por uso de 'químicos eternos'
A Austrália anunciou, nesta quinta-feira (28), uma ação judicial que busca o equivalente a 1,43 bilhão de dólares (7,2 bilhões de reais) contra a gigante americana 3M, devido à contaminação de bases militares por espumas anti-incêndios que contêm "químicos eternos".
O vice-ministro da Defesa, Peter Khalil, disse aos jornalistas que o governo australiano busca indenização para recuperar os custos de gestão da contaminação ambiental causada por substâncias per e polifluoroalquil (PFAS).
Essa ação judicial contra a fabricante dos famosos blocos Post-it e das fitas adesivas Scotch é a mais significativa já empreendida por um governo australiano, afirmou a autoridade.
Acrescentou que as forças de defesa do país já removeram 200.000 toneladas de PFAS do solo, devido ao risco que representavam para as comunidades locais.
"Estamos preparados para enfrentar uma das maiores corporações multinacionais do mundo", disse a procuradora-geral, Michelle Rowland.
Em um comunicado, o governo australiano acrescentou que a ação judicial tramita no Tribunal Federal e alega que a 3M tinha conhecimento dos riscos ambientais associados às espumas, mas não os divulgou.
Em uma nota enviada por e-mail à AFP, a 3M se comprometeu a "defender-se dessas acusações por meio do processo legal".
"A 3M nunca fabricou PFAS na Austrália e deixou de vender os produtos em questão no país há aproximadamente duas décadas", afirmou um porta-voz.
A multinacional também firmou um acordo extrajudicial de 10 bilhões de dólares (50,5 bilhões de reais) nos Estados Unidos, em 2023, referente a outro caso de suposta contaminação.
Conhecidos como "químicos eternos" por levarem muito tempo para se decompor, os PFAS são substâncias químicas artificiais que repelem calor, água e óleo, e são utilizados em frigideiras antiaderentes, carpetes resistentes a manchas e outros produtos.
Seu uso tem se tornado cada vez mais restrito em todo o mundo devido aos seus efeitos adversos à saúde.
X.Matos--PC