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Lando Norris, um campeão da Fórmula 1 que assume sua vulnerabilidade
"Sempre fui muito duro comigo mesmo (...) com o risco de ficar preso em um pequeno mundo negativo": o britânico Lando Norris afirma uma fraqueza emocional rara em um esporte como a Fórmula 1, que não o impediu de conquistar neste domingo (7) seu primeiro título na categoria.
Alguns duvidaram de sua capacidade para ser campeão, mas aos 26 anos, Norris mostrou que, apesar de um início de temporada "difícil", sua resiliência poderia levá-lo ao topo.
"Estar onde estou hoje se deve em grande parte à minha mentalidade", defendia Norris poucos dias antes de tirar a coroa de Max Verstappen, campeão nos quatro anos anteriores.
Na elite do automobilismo desde 2019, quando tinha 19 anos, o piloto da McLaren foi um dos que levaram o debate sobre a saúde mental dos atletas para o cenário mundial.
Pressão da midiática, a busca pela perfeição. "Eu sofri muito (...) em 2019 e 2020", explicou ela à revista GQ em 2023. "Eu simplesmente não sabia como lidar com a situação", admitiu.
Como em muitos outros esportes, os pilotos de F1 raramente mostram suas fraquezas, mas Norris decidiu se abrir: "Guardei tudo par mim e isso prejudicou minha autoconfiança, que chegou ao fundo do poço. Eu duvidava de mim mesmo: 'Será que sou bom o suficiente para estar na Fórmula 1?'".
- Campão precoce -
Nascido em Bristol em novembro de 1999, de mãe belga e pai inglês (o investidor multimilionário Adam Norris, muito presente no padoque), Norris foi perseguido pelo sucesso desde pequeno e acumula títulos na maioria das categorias inferiores do automobilismo.
Campeão da Europa de kart em 2013, no ano seguinte se tornou o campeão mundial mais jovem da categoria, seguindo os passos da lenda Lewis Hamilton.
Sua ascensão continuou em 2015, com a conquista do título britânico de Fórmula 4. Em 2016, venceu os três campeonatos dos quais participou.
Estas conquistas chamaram a atenção da McLaren, que o integrou em seu programa de formação de jovens pilotos em 2017, ano em que foi campeão de Fórmula 3, seu quinto título em três anos.
Um ano depois, terminou em segundo no campeonato de Fórmula 2, atrás de seu compatriota George Russell, hoje piloto da Mercedes.
Naquela época, seus críticos já faziam questão de ressaltar que ele havia se beneficiado de programas intensivos de treinamento graças à fortuna de seu pai.
"Eu nunca quis que ele pagasse para que eu pudesse entrar na Fórmula 1", argumentou Norris em um podcast no ano passado.
"Tenho muito mais orgulho de dizer que estou aqui porque a McLaren me recrutou (...) e me tornei piloto oficial" em 2019.
Depois de terminar sua primeira temporada na elite em 11º, o jovem piloto evoluiu e conseguiu seu primeiro pódio em 2020, mas a vitória demorou a chegar.
Apelidado durante muito tempo de "Lando No-wins" ("Lando sem vitórias"), ele teve que esperar até 2024, no Grande Prêmio de Miami, para desbloquear sua contagem de vitórias na F1.
Nesse mesmo ano, conseguiu outras três vitórias que o levaram a terminar a temporada como vice-campeão do mundo.
- Piloto 2.0 -
Fora das pistas, este fanático por MotoGP e admirador da lenda Valentino Rossi às vezes cultiva uma certa forma de arrogância.
Por exemplo, teve palavras duras com seu companheiro de equipe australiano Daniel Ricciardo quando sua saída da McLaren foi anunciada em 2022: "Não acho que devemos ter simpatia por um piloto simplesmente porque ele não conseguiu ter um bom desempenho", declarou então.
Muito ativo das redes sociais e fã de jogos de simulação de corridas automobilísticas, Norris faz parte desta geração de pilotos 2.0.
Em 2020, ele raspou a cabeça ao vivo em seu canal na Twitch para arrecadar doações para um fundo de ajuda contra a covid-19.
No entanto, reconheceu este ano que se afastou das redes, que se tornaram "uma perda de tempo e energia".
Uma energia que soube concentrar em seu objetivo de se tornar o novo rei da Fórmula 1.
E.Borba--PC