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Lucas Pinheiro Braathen conquista ouro, a 1ª medalha olímpica de inverno da história para o Brasil
Dia histórico para o esporte brasileiro: Lucas Pinheiro Braathen não só deu ao Brasil a primeira medalha da história nos Jogos Olímpicos de Inverno neste sábado (14), como também conquistou o ouro na prova de slalom gigante do esqui alpino.
Na lendária pista Stelvio, em Bormio, o atleta de 25 anos nascido em Oslo e representando o país de sua mãe desde 2024, dominou a prova do início ao fim, liderando um pódio completado pelos suíços Marco Odermatt (58 centésimos de segundo atrás), que levou a prata, e Loïc Meillard (1,17 segundo atrás), que ficou com o bronze.
Essa foi também a primeira medalha conquistada por um atleta latino-americano na história dos Jogos Olímpicos de Inverno.
"Inexplicável. É totalmente inacreditável e não sei como colocar em palavras. Só queria compartilhar que provavelmente, com todo mundo me acompanhando do Brasil e torcendo por mim, isso pode ser uma fonte de inspiração para crianças da próxima geração de que nada é impossível", disse ele, muito emocionado, em entrevista à TV Globo logo após sua conquista.
Pinheiro Braathen já havia se tornado o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino em novembro, em Levi, na Finlândia.
Em Bormio, o showman do esqui, apaixonado por moda e música, que se destaca no mundo bastante conservador do esqui, foi ainda mais longe, escrevendo o capítulo mais belo de uma agitada carreira.
Em 2023, ele surpreendeu a todos ao anunciar, em meio a lágrimas, sua sua saída após um conflito com a federação norueguesa sobre direitos de imagem.
Ele retornou alguns meses depois, mas representando o Brasil, país de sua mãe, onde passou parte da infância após o divórcio dos pais.
Seu triunfo também representa uma forma de redenção após sua desastrosa primeira Olimpíada em Pequim, há quatro anos, onde não conseguiu completar as provas de slalom gigante nem de slalom, modalidade na qual será novamente um dos favoritos na segunda-feira, em Bormio.
Neste sábado, ele encaminhou sua vitória já na primeira descida, ostentando o número 1 em um percurso tranquilo na pista Stelvio para abrir uma enorme vantagem graças a uma descida perfeita.
O brasileiro conseguiu manter a calma na segunda descida para diminuir a diferença em relação a Odermatt, campeão olímpico em Pequim em 2022.
"Foi uma guerra. Eu estava puxando, sempre tentando achar velocidade para descer num ritmo bem rápido. A neve fica completamente diferente entre as descidas. É preciso ajustar, e eu consegui isso, encontrar um equilíbrio", comemorou.
O esquiador suíço, que dominou o esqui alpino nos últimos quatro anos e era cotado para levar todas as medalhas em Bormio, deixa os Jogos de Inverno com três medalhas, mas sem o ouro.
T.Batista--PC