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Estreia do Uzbequistão na Copa do Mundo confirma auge da popularidade do futebol no país
Já elevados ao status de heróis e comandados pelo vencedor da Bola de Ouro e campeão mundial Fabio Cannavaro, os jogadores da seleção do Uzbequistão representarão seu país em sua primeira Copa do Mundo, livres de qualquer pressão por parte de seus torcedores.
Sua partida de estreia, em 17 de junho, contra a Colômbia, na Cidade do México, já é considerada uma recompensa em si mesma, mais um marco na rápida ascensão da popularidade do futebol nesta nação da Ásia Central.
"Se olharmos para os últimos anos, não apenas no nível da seleção principal, mas também entre as equipes de base, nossas seleções são, atualmente, as melhores da Ásia", disse à AFP Abdusaid Ruzimatov, um torcedor uzbeque de 22 anos, durante uma partida de exibição na capital, Tashkent, no mês passado.
Esse jovem foi um dos 30.000 torcedores presentes no estádio nacional durante um amistoso com a participação dos 'Lobos Brancos', antes de a equipe embarcar rumo à América do Norte.
As seleções de base do Uzbequistão conquistaram a Copa da Ásia nas categorias Sub-23, Sub-20 e Sub-17, enquanto que a seleção principal se consolidou como uma equipe sólida dentro da confederação asiática.
Esse sucesso caminha lado a lado com o projeto 'Novo Uzbequistão' do presidente Shavkat Mirziyoyev, uma série de reformas que buscam liberalizar, abrir ao mundo e tornar esta ex-república soviética conhecida no exterior.
Ao longo de sua década no poder, ele atraiu investimentos estrangeiros, flexibilizou as restrições de fronteira e buscou projetar o Uzbequistão no cenário global, embora grupos de direitos humanos e críticos apontem que o país mantém fortes traços autoritários, com a liberdade de expressão e a oposição política sendo suprimidas.
- Fortaleza defensiva -
A histórica classificação foi possível, em parte, graças à expansão de 32 para 48 seleções participantes, mas é também um sinal do aumento da força futebolística do país.
Atualmente na 50ª posição do ranking da Fifa, a seleção uzbeque colhe os frutos de uma estratégia governamental de uma década voltada para o desenvolvimento do esporte, com ênfase especial na formação de jovens jogadores.
O país ostenta uma vasta reserva de talentos, com quase um terço de seus 37 milhões de habitantes com menos de 20 anos de idade.
"Acredito que nossa seleção seja particularmente forte na defesa", disse à AFP Bekmurod Khaydarov, médico de 57 anos.
"Cannavaro era zagueiro, por isso reforçou esse setor. Espero que ninguém consiga superá-la", acrescentou.
Nomeado técnico principal no ano passado, após ter capitaneado a seleção italiana na conquista do título da Copa do Mundo de 2006, Fabio Cannavaro não estabeleceu metas específicas para sua equipe.
"Este é o nosso primeiro Mundial, por isso é importante não colocar uma pressão desnecessária sobre os jogadores. Pelo contrário, devemos dar a eles a oportunidade de aproveitar o jogo", afirmou durante uma coletiva de imprensa em meados de maio.
O portal de estatísticas Opta lhes atribui 12% de chances de avançar além da fase de grupos.
E eles são a grande surpresa da competição, com 'odds' de 2.000 para um para erguer o troféu, um feito que entraria para a história como a zebra mais extraordinária da história das Copas do Mundo.
Cannavaro, no entanto, tem seu foco voltado para a Copa da Ásia de 2027, um torneio no qual o Uzbequistão costuma se classificar para as fases finais.
"Se a Copa do Mundo servir como uma plataforma para ganharmos experiência, então, na Copa da Ásia, estaremos competindo por resultados", afirmou ele.
- "Conquista histórica" -
Após sua estreia contra a Colômbia, o Uzbequistão enfrentará Portugal e a República Democrática do Congo no Grupo K.
A partida de despedida antes do torneio ofereceu aos torcedores uma rara oportunidade de ver o astro da defesa da equipe, Abdukodir Khusanov, do Manchester City, jogando em solo pátrio.
Os outros dois destaques do time, o atacante Eldor Shomurodov e o meia-atacante Abbosbek Fayzullaev, também atuam no exterior, completando um elenco composto, de resto, por jogadores da liga nacional que são praticamente desconhecidos.
Em Tashkent, o governo não esconde sua alegria com o fato de o país ter conquistado um lugar no cenário esportivo mundial.
"Nossos jogadores podem, com todo o direito, serem chamados de heróis do nosso tempo, tendo inaugurado um novo capítulo na história do Uzbequistão. Eles trouxeram uma alegria imensa ao nosso povo", declarou o presidente Mirziyoyev durante uma recepção oferecida à seleção em Tashkent, no mês passado.
"Os jogadores se tornaram um verdadeiro exemplo para a juventude. O interesse pelo esporte cresceu ainda mais, e figuras da literatura e das artes, empreendedores e o público em geral continuam a se inspirar nesta conquista histórica", observou seu gabinete em um comunicado.
E.Ramalho--PC