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Japão pode 'surpreender o Brasil', avisa ex-técnico Philippe Troussier
O Japão pode "surpreender o Brasil" na fase de 16-avos de final da Copa do Mundo, um feito que recompensaria a evolução do país asiático no futebol, segundo Philippe Troussier, ex-técnico francês que comandou a seleção japonesa, em entrevista à AFP.
Troussier foi o treinador dos 'Samurais Azuis' no Mundial de 2002, que o Japão sediou em conjunto com a Coreia do Sul, e levou a equipe até as oitavas de final.
Desde então, eles participaram de todas as Copas do Mundo e mostram abertamente suas grandes ambições para a edição deste ano, na América do Norte, onde a equipe enfrentará o Brasil em Houston, nesta segunda-feira (29).
"A história do futebol nos mostra que, em um jogo, tudo é possível", declarou o treinador de 71 anos.
"O Japão, com sua confiança, talento, organização coletiva e, agora, sua cultura tática com jogadores experientes que, em sua maioria, atuam nas grandes ligas europeias", pode complicar a vida do Brasil.
"É evidente que, na teoria, pode-se dizer que o Brasil tem uma equipe mais experiente, mas, na realidade, insisto, também existem pontos fracos que o Japão poderia explorar", ressaltou.
Antes de enfrentar o Brasil, adversário que derrotou pela primeira vez em um amistoso disputado em outubro do ano passado em Tóquio (3 a 2), a seleção japonesa continuou ganhando confiança durante a fase de grupos da Copa do Mundo, somando uma vitória sobre a Tunísia (4 a 0) e empates com Países Baixos (2 a 2) e Suécia (1 a 1).
"Quando vemos o jogo contra a Suécia, a maneira como eles conseguiram resistir e defender mostra que fizeram grandes progressos em sua cultura defensiva", observa Troussier.
O técnico francês também destacou que o futebol japonês continuou a evoluir desde o seu auge na virada do milênio, tornando-se, com o tempo, uma força respeitada.
- Objetivo 2050 -
"Em 2002, eu dizia que os jogadores japoneses, em termos de talento, qualidade técnica e execução técnica do futebol, já eram, para mim, os melhores jogadores do mundo", conta Troussier.
O treinador enxerga o país conquistando uma Copa do Mundo, mas não espera que isso aconteça este ano.
"Existe margem para essa façanha, mas, sendo realista, acho que o banco de reservas não é suficientemente profundo, que ainda falta experiência", explica.
Mas "o Japão é capaz de sonhar alto. Então estou disposto a aceitar que, em 2050, o país estará mais perto de ganhar a Copa do Mundo do que está hoje", conclui Troussier.
J.V.Jacinto--PC