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Exército israelense inicia retirada de Jenin após operação que matou 12 palestinos
As tropas israelenses começaram a se retirar de Jenin na noite desta terça-feira (4), disse à AFP uma porta-voz do exército, após uma operação de grande envergadura na qual 12 palestinos morreram no norte da Cisjordânia ocupada.
"As tropas israelenses começaram a retirada de Jenin", declarou a porta-voz, sem dar mais detalhes.
Um soldado israelense também morreu na noite desta terça em uma troca de tiros durante operação no campo de refugiados, informou o exército.
Israel iniciou nesta segunda sua maior incursão militar em anos em Jenin, no norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
Emissoras de TV israelense transmitiram imagens de veículos militares abandonando a área e entrando em território israelense.
Durante o dia, um ataque realizado com um veículo deixou sete feridos em Tel Aviv, um atentado aplaudido pelo movimento islamita palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza e que afirmou que era "uma primeira resposta aos crimes cometidos contra nosso povo no campo de Jenin".
O autor do atropelamento, um palestino, também esfaqueou vários pedestres.
O chefe da polícia, Yaakov Shabtai, declarou que o "terrorista" era um morador da Cisjordânia e que havia sido morto por um civil.
Em Jenin, drones sobrevoaram nesta terça uma cidade com lojas fechadas e ruas desertas, cheias de escombros, pedras e barricadas improvisadas, constatou um jornalista da AFP.
"O campo de refugiados enfrenta uma situação desastrosa", com interrupções nos serviços de água e eletricidade, afirmou o prefeito da cidade, Nidal Abu Saleh.
A ministra palestina da Saúde, Mai al Kaila, tachou a operação israelense de "agressão que desafia o direito internacional".
- "Guerra aberta" -
Na operação, iniciada pelo governo mais conservador da história de Israel, foram usados veículos blindados, retroescavadeiras militares e drones.
O exército israelense bombardeou um "centro de operações conjuntas" que, segundo os militares, serve de ponto de comando da "Brigada Jenin", um grupo militante local.
Também atingiu quatro "oficinas de fabricação de explosivos".
"Agiremos o tempo que for necessário para erradicar o terrorismo", afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao visitar nesta terça-feira uma base militar próxima.
"Não vamos permitir que Jenin volte a ser um refúgio para o terrorismo", sentenciou.
De acordo com o Ministério da Saúde palestino, 12 palestinos morreram e 100 ficaram feridos, 20 deles em estado grave.
Tanto a cidade de Jenin quanto seu campo de refugiados, reduto de grupos armados palestinos, têm sido cenários de operações israelenses.
O norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, foi palco de uma recente onda de ataques contra israelenses e palestinos por parte de colonos judeus.
- "O pior ataque em cinco anos" -
"É o pior ataque em cinco anos", disse Qassem Benighader, um enfermeiro de 35 anos que trabalha no hospital da cidade.
Segundo Ibn Sina, um médico do hospital, alguns feridos morreram porque não foram atendidos a tempo.
"Alguns morreram e a condição de outros piorou", disse o médico Tawfeek al-Shobaki nesta terça-feira.
"Todas as opções estão sobre a mesa para atingir o inimigo", alertou a Jihad Islâmica palestina na segunda-feira.
No campo diplomático, a Liga Árabe convocou uma reunião de emergência para esta terça-feira.
A Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, países que mantêm relações diplomáticas com Israel, denunciaram a incursão.
"Os assassinatos, os atentados contra a integridade física e a destruição de bens devem cessar", pediu o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
Israel tem "o direito de se defender", mas deve respeitar a "proporcionalidade do direito internacional", acrescentou, em nota, o Ministério alemão de Relações Exteriores.
Desde o início do ano, a violência relacionada ao conflito israelense-palestino matou pelo menos 190 palestinos, 25 israelenses, uma ucraniana e um italiano, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais.
L.E.Campos--PC