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'Não há alternativa' à solução de dois Estados no conflito israelense-palestino, diz França
"Não há alternativa" à criação de dois Estados, um israelense e outro palestino, que vivam lado a lado em paz e segurança, estimou, nesta segunda-feira (28), a França, na abertura de uma conferência internacional para reviver esta solução que se distanciou após quase dois anos de guerra em Gaza.
"Apenas uma solução política de dois Estados permite responder às legítimas aspirações de israelenses e palestinos de viver em paz e segurança", declarou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, que fez um apelo para tomar "medidas concretas" para preservar a perspectiva de um Estado palestino "viável".
Após o anúncio do presidente francês, Emmanuel Macron, na última quinta-feira (24), de que seu país reconhecerá oficialmente o Estado palestino em setembro, a conferência convocada pela Assembleia Geral da ONU e copresidida por França e Arábia Saudita espera revitalizar esta proposta.
Na esteira da Espanha, a França desejaria convencer outras grandes potências a dar este passo, como o Reino Unido.
No entanto, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou, na sexta-feira (25), que o reconhecimento deve "estar inscrito em um plano mais global". Por sua vez, a Alemanha não o considera "a curto prazo".
"Todos os Estados têm a responsabilidade de agir agora", insistiu o primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, que se mostrou disposto a autorizar o desdobramento de uma força internacional para proteger a população palestina.
Segundo uma contagem da AFP, ao menos 142 dos 193 Estados-membros da ONU reconhecem o Estado palestino proclamado pela direção palestina no exílio em 1988.
Em 1947, uma resolução da Assembleia Geral da ONU decidiu a partição da Palesina, então sob mandato britânico, em dois Estados independentes, um judeu e outro árabe. No ano seguinte, foi proclamado o Estado de Israel.
Durante décadas, a grande maioria dos integrantes da ONU tem apoiado a solução de dois Estados, um israelense e outro palestino.
No entanto, após mais de 21 meses de guerra em Gaza, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e as intenções dos responsáveis israelenses de anexar este território ocupado, cresce o temor de que a criação de um Estado palestino seja fisicamente impossível.
Por isso a ideia desta conferência que, no entanto, acontece na ausência de Israel e dos Estados Unidos.
"Um Estado palestino independente é a chave para a paz na região", defendeu o ministro das Relações Exteriores saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, ao inaugurar a conferência.
- "Mais longe do que nunca" -
"Estamos em um ponto de ruptura. A solução de dois Estados está mais longe do que nunca", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
"Sejamos claros, a anexação insidiosa da Cisjordânia é ilegal, deve ser contida. A destruição em grande escala de Gaza é intolerável, deve ser contida", insistiu, e denunciou as ações "unilaterais" que poderiam "prejudicar para sempre" a solução de dois Estados.
Se trata do "conflito mais antigo" que a ONU possui, lembrou o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, que destacou que é necessário criar as bases para um Estado palestino "viável" integrado por Cisjordânia e Gaza.
Além de criar uma dinâmica para o reconhecimento do Estado palestino, a conferência se concentrará em outros três eixos: a reforma da governança da Autoridade Palestina, o desarmamento do Hamas e sua exclusão do governo palestino e, por último, a normalização das relações com Israel por parte dos Estados árabes que ainda não o fizeram.
Segundo uma fonte diplomática francesa, não se espera nenhum anúncio de normalização com Israel esta semana.
A pressão internacional sobre Israel para que ponha fim à guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, não para de se intensificar.
Por isso, a catástrofe humanitária no pequeno território devastado deveria ser o tema central dos discursos dos representantes de mais de 100 países anunciados na tribuna de segunda a quarta-feira (30), embora Israel tenha declarado no domingo (27) uma pausa diária nos combates com fins humanitários em algumas áreas.
Neste contexto, "mais trivialidades sobre a solução de dois Estados e o processo de paz não ajudarão a alcançar os objetivos da conferência nem a deter o extermínio dos palestinos em Gaza", afirmou o ex-chanceler costa-riquenho Bruno Stagno, da Human Rights Watch, e instou aos gorvenos a tomarem medidas "concretas" contra Israel, em particular sanções seletivas, um embargo de armas e a suspensão dos acordos comerciais.
A.P.Maia--PC