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Netanyahu diz estar preparando 'instruções' para exército em Gaza
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou, nesta segunda-feira (4), que esta semana dará "instruções" sobre a continuação da guerra na Faixa de Gaza, em um contexto de crescente pressão sobre seu governo para encerrar o conflito e libertar os reféns.
Israel quer colocar a questão dos reféns mantidos em cativeiro há 22 meses no território palestino "no centro da agenda internacional", declarou o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, às vésperas de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, convocada por Israel e dedicada ao tema.
Durante uma sessão do Conselho de Ministros, Netanyahu anunciou que vai convocar seu gabinete "esta semana" para "dar instruções" ao exército sobre "a maneira de alcançar os três objetivos de guerra" estabelecidos para o conflito na Faixa.
"Estamos no meio de uma guerra intensa na qual obtivemos sucessos muito importantes, históricos, porque não estávamos divididos (...) Devemos continuar unidos", declarou.
O premiê lembrou os "objetivos da guerra": "Derrotar o inimigo, libertar nossos reféns e garantir que Gaza deixe de ser uma ameaça para Israel".
Netanyahu também falou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, segundo seu gabinete.
- "Levando Israel para a ruína" -
O governo israelense, em guerra contra o Hamas desde o ataque do movimento islamista palestino em seu território, em 7 de outubro de 2023, enfrenta uma pressão interna cada vez maior.
Cerca de 600 ex-funcionários de segurança de Israel, entre eles vários ex-chefes do Mossad e da agência de segurança interna - o Shin Bet -, pediram nesta segunda ao presidente americano, Donald Trump, que pressione Netanyahu a pôr fim à guerra e trazer os reféns de volta.
"Parem a guerra em Gaza!", exorta a carta, assinada por 550 ex-chefes de espionagem, militares, policiais e diplomatas.
Netanyahu "está levando Israel para a ruína e os reféns, à morte", denunciou, por sua vez, o Fórum de Famílias de Reféns, a principal organização de familiares dos sequestrados.
"Há 22 meses, vende-se ao público a ilusão de que a pressão militar e os intensos combates trarão os reféns de volta", mas estes discursos "não são mais que mentiras e enganos", avaliaram os familiares.
Das 251 pessoas sequestradas pelo Hamas durante seu ataque a Israel, 49 não foram libertadas e destas, 27 teriam morrido, segundo o exército israelense.
- “Corredores humanitários” -
A publicação na semana passada pelo Hamas e a Jihad Islâmica, seu aliado, de três vídeos mostrando dois reféns israelenses, identificados como Rom Braslavski e Evyatar David, comoveu Israel e reacendeu o debate sobre a necessidade de alcançar rapidamente um acordo para libertar os sequestrados.
O Hamas exigiu como condição "a abertura de corredores humanitários (...) para o envio de alimentos e medicamentos" ao território palestino, sitiado e ameaçado pela fome, segundo a ONU.
A comunidade internacional também tem pressionado Israel, que só autoriza a entrada de quantidades de ajuda consideradas insuficientes pela ONU, para que abra os canais humanitários em Gaza.
"Negar o acesso aos alimentos à população civil pode constituir um crime de guerra, até mesmo um crime contra a humanidade", declarou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, nesta segunda-feira.
No terreno, o exército israelense continua com seus bombardeios e operações terrestres. Segundo a Defesa Civil local, 19 palestinos morreram nesta segunda-feira, nove dos quais tinham ido buscar ajuda alimentar no centro de Gaza.
"Talvez o mundo acorde, mas isso nunca acontecerá, nem para os árabes nem para os muçulmanos", lamentou Abdullah Abu Musa em Deir al Balah, também no centro da Faixa, sobre os escombros de uma casa.
Visivelmente emocionado, afirmou que sua filha e a família dela morreram ali em um bombardeio israelense.
- "Enorme presente para o Hamas" -
Nesta segunda, Gideon Saar voltou a atacar países como França, Reino Unido e Canadá, que anunciaram a intenção de reconhecer o Estado da Palestina, o que, segundo ele, representa "um enorme presente para o Hamas".
"Já adverti (...) que reconhecer um Estado palestino virtual acabaria com as possibilidades de alcançar um acordo sobre os reféns e o cessar-fogo. Foi exatamente isto que ocorreu", afirmou.
O ataque de 7 de outubro de 2023 deixou 1.219 mortos do lado israelense, civis na maioria, segundo um balanço com base em dados oficiais.
Em represália, Israel matou pelo menos 60.933 pessoas na Faixa de Gaza, também civis em sua maioria, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
P.Queiroz--PC